[Review] The end of the f***ing world - 1ª temporada

by - 4:46 PM


A primeira coisa que vocês precisam saber antes de ler esse review não é sobre a série, e sim sobre mim: eu talvez tenha um pouco de ranço que coisas hypadas demais. Acontece sempre que uma série nova da Netflix é lançada e todo mundo em todas as redes sociais está falando sobre ela e como sobre ela é incrível. Isso me fez não assistir a praticamente todos os seriados lançados no serviço de streaming - Dark, Stranger Things, Sense8, Black Mirror, dentre outras tantas. Sempre fico por fora dos assuntos nas rodinhas de amigos, mas minha consciência segue tranquila.

Quando começaram a pipocar os primeiros posts sobre The end of the f***ing world o ranço começou a crescer em mim. Tive preguiça. Muita preguiça. E muita certeza de que seria mais uma das séries da Netflix que eu apenas veria os textões sobre no Facebook e seguiria minha vida como se nada tivesse acontecido. Porém, eu fui obrigada - obrigada mesmo, do tipo ter um celular enfiado no meu campo de visão - a assistir ao trailer, que me ganhou em poucos minutos.



A história principal da série é sobre James e Alyssa, um casal adolescente um tanto quanto... problemático. Ele, que tem certeza sofrer de psicopatia, encontra nela a vítima perfeita para seu primeiro assassinato. Sem saber quando irá acontecer, mas sempre carregando a faca com a qual cometerá o crime, James se aproxima de Alyssa, que sugere que eles metam o famoso loko e fujam por aí com o carro roubado do pai do garoto.

A partir daí, a trama envolve invasão de propriedades, assaltos, roubos, assassinatos e um milhão de coisas que, certamente, adolescentes comuns não planejariam. A cada episódio - que dura em média 20 minutos - algum plot te fará pensar o quão fodidos os personagens estão. E, de alguma forma, eles também sempre conseguem se livrar da enrascada. Posso dizer que a imprevisibilidade da série foi um dos pontos que me cativou. Quem assiste nunca faz ideia do que pode acontecer no próximo segundo, e isso se deve em grande parte à imprevisibilidade dos próprios personagens.


Alyssa é explosiva, niilista, mas ao mesmo tempo sentimental e emotiva, enquanto James realmente demonstra a maioria das características de um psicopata, como falta de empatia, pensamentos frenéticos sobre morte e ausência de certos sentimentos. Porém, com o passar dos episódios, a mudança pela qual os personagens passam é evidente e incrível. Poucas são as séries com a capacidade de mostrar, em tão pouco tempo, esse tipo de evolução mesmo durante muitas temporadas, e The end of the f***ing world conseguiu isso em apenas oito episódios. Mais um ponto que me cativou.

Para além da história com plots inimagináveis, também há toda a questão estética: a série é linda. A trilha sonora, que em muitos momentos me lembrou a do filme Juno (uma das minhas trilhas favoritas da vida); a fotografia impecável, que explora os mais diversos planos, além de utilizar sombra e luz de uma maneira incrível e uma paleta de cores que mexeu com meu coraçãozinho. Nesse quesito, me fez lembrar muito do filme Submarine, e depois acabei descobrindo que muitas outras pessoas também fizeram essa associação e não só pela fotografia da série, mas pela própria história.



Desde o lançamento, algumas problematizações vêm sendo feitas a respeito do enredo - óbvio, tudo é problematizado hoje em dia, e realmente deve. Discussões a respeito da romantização de transtornos mentais e até mesmo da psicopatia, sobre a posição de Alyssa como uma possível manic pixie dream girl e o incentivo a certas irresponsabilidades cometidas pelos protagonistas. Minha opinião sobre tudo isso é bastante simples: 99% da mídia que consumimos é problemática, porém, na maioria das vezes, o suposto incentivo não vem somente de uma série ou livro, mas de todo um contexto social em torno do adolescente que o consome.

Em outras palavras, não acredito que uma série seja capaz de incitar um adolescente a roubar o carro do pai e fugir por aí com uma garota. A mesma discussão foi levantada a respeito de 13 Reasons Why e nunca se chegou a um consenso definitivo sobre os danos que as cenas de suicídio podem causar. A realidade é que adolescentes romantizam coisas que não deveriam ser romantizadas desde sempre e por N fatores mais profundos do que uma simples série de TV. E concluindo: não acho que Alyssa seja uma manic pixie dream girl por inúmeros motivos que posso dedicar a um único post, mas em geral, garotas com transtornos mentais não são fetichizadas pelos caras, e sim, ignoradas, abandonadas e estereotipadas como malucas.

Por fim, fica o meu apelo: assistam essa série.



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4 comentários

  1. Eu me irritei com o trailer, não fui com a cara dos personagens... Quem sabe quando o hype passar, o ranço passe e eu assista essa série.

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    1. Você tem o mesmo problema de ranço do hype que eu hahahhaa

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  2. Eu adorei, assisti tudo de uma vez ��

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    1. Eu também, miga! Não conseguia parar e sofri muito com o final

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