5 de setembro de 2017

[Resenha] O Livro dos Baltimore - Joël Dicker

Se você encontrar este livro, por favor, leia-o. Quero que alguém conheça a história dos Goldman-de-Baltimore


Me apaixonei pela escrita de Joël Dicker à primeira lida: uma das primeiras resenhas que fiz pro blog foi do livro A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, que amei. Quando soube que o autor lançaria outra obra com o protagonista Marcus Goldman passei o livro sem cerimônia como primeiro na lista de próximas leituras.

Com narrativa em primeira pessoa, O Livro dos Baltimore conta o que aconteceu com Marcus Goldman antes do lapso que criatividade que levou o escritor a conhecer a história sobre o desaparecimento de Nola, no primeiro livro. Vale ressaltar que, apesar de se tratar do mesmo protagonista, as histórias não formam uma narrativa linear e muito menos uma série, podendo ser lidos separadamente sem interferência no entendimento das duas histórias.

Nesse caso, a narrativa não-linear vai intercalar o momento presente, onde Marcus se mudou para uma casa um tanto quanto isolada em uma cidade pequena após receber os direitos autorais do seu primeiro livro; e o passado, nas décadas de 80, 90 e 2000, através do livro que escreve contando a história sobre como sua família foi dividida entre os Goldman-de-Baltimore - os tios ricos e bem sucedidos - e os Goldman-de-Montclair, a família mais ou menos na qual ele nasceu. 

O narrador deixa claro que em um determinado momento da trama uma tragédia aconteceu, chamada apenas de O Drama, responsável por desestruturar e tirar os Goldman-de-Baltimore do posto de família de comercial de margarina. O Drama é citado em praticamente todos os capítulos da obra, e apesar da repetição um pouco irritante no começo (já que o leitor não faz a menor ideia do que possa ter acontecido de tão grave), acaba por preparar o território, tirando um pouco da carga dramática que o fato poderia ter quando revelado.


O destaque da trama é a história de amizade nutrida entre Marcus e seus primos, Hillel e Woody, durante a infância e adolescência. Hillel, franzino e esquisito, acaba encontrando um porto seguro em Woody, um garoto desajustado e que é adotado pela família. Crescendo juntos, os três se encontram todo o verão e dividem aventuras e confissões. A amizade, porém, é abalada com a chegada de Alexandra, que ganha o coração dos três rapazes e gera a primeira ruptura entre eles e que, mais tarde, desencadeará nos acontecimentos retratados no livro que Marcus escreve durante a trama.

A história de amizade entre os três é capaz de fazer até mesmo o leitor mais coração de pedra retomar suas lembranças da infância, até mesmo as mais amargas: as brincadeiras na rua com os primos durantes as férias, a inveja daquele lado mais rico da família que podia comprar tudo aquilo que você nunca pôde, a primeira paixão, a inveja do amigo mais forte e mais bonito, a primeira desilusão amorosa... Hillel, Woody e Marcus são o retrato exato dos dilemas da transformação da criança para o adolescente e, posteriormente, para a vida adulta.

Jöel teve a capacidade de, novamente, utilizar a metalinguagem de maneira perspicaz, sem tornar a história cansativa ou confusa e entregando uma trama sem fios soltos e consistente. Além disso, a construção do mistério em torno d'O Drama não foi forçada, sendo natural e, mesmo assim, instigando o leitor, entregando as respostas em doses homeopáticas. Nesse livro, a carga de mistério é menor do que em A Verdade, dando lugar de destaque para o drama familiar e as consequências dos atos impensados e dos amores avassaladores.

Infos:
Título original: Le livre des Baltimore
Autor: DICKER, Joël
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580579765
413 páginas

Livro cedido para resenha pela editora
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2 comentários :

  1. Eu não conhecia o autor e nem a obra.
    Mas achei interessante a premissa e fiquei com vontade de ler.

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