15 de agosto de 2017

[Resenha] Boa Noite - Pam Gonçalves

"Ao contrário do que somos educadas a pensar, as outras mulheres não são nossas inimigas, mas sim nossas irmãs. Um time. O exército que precisamos proteger. Se não protegermos e cuidarmos umas das outras, não serão os homens que farão por nós. Juntas somos mais fortes"


Poder ler um livro escrito por uma booktuber, pra mim, já tem um peso diferente: em meio a tantos lançamentos de youtubers com conteúdo duvidoso, ver um livro publicado por alguém que realmente tem a paixão pela literatura correndo nas veias é animador. Se tratando da primeira booktuber que conheci, aquela que de certa forma é responsável por grande parte da lista de livros que li nos últimos três anos e que me inspirou a criar meu próprio canal, posso dizer que Boa Noite foi como um presente.

A história por si só já seria suficiente: Alina acaba de mudar de cidade para iniciar o primeiro ano da faculdade. Além da oportunidade de cursar a graduação em engenharia da computação em uma universidade federal, a garota também vê uma chance de recomeçar como uma pessoa diferente, deixando os rótulos de nerd e CDF para trás e buscando se tornar mais parecida com os novos colegas.

Em meio aos desafios, Alina se depara com o preconceito por frequentar um curso majoritariamente masculino, tentar se encaixar nos padrões dos jovens universitários, a distância e a saudade de casa e dos pais, mas principalmente, a dura realidade do mundo que ainda se mostra machista e preconceituoso.



Como já citei anteriormente, Boa Noite é um presente, e não apenas para mim, mas principalmente para as jovens meninas que estão agora passando por situações parecidas com as de Alina. Situações que eu já vivi, quando iniciei a graduação, e outras que infelizmente já vivenciei apenas por ser mulher.

Pam Gonçalves soube usar seu alcance de influenciadora digital para chamar atenção para causas importantes, como o machismo e o abuso sexual. Em um mercado em que a maioria dos new adults romantiza relacionamentos abusivos e dá destaque aos mocinhos problemáticos, uma história como essa é essencial por destacar o poder da amizade e da união feminina.

Por se tratar do primeiro livro solo da autora, a escrita com certeza ainda tem muitos pontos a serem trabalhados e amadurecidos, o que de nenhuma maneira torna a narrativa menos atrativa ou pobre. Com uma construção de enredo consistente, esse é um detalhe que passa despercebido. Tenho certeza que as próximas obras da Pam serão ainda melhores e estou ansiosa para os próximos lançamentos!


Infos:
Título original: Boa Noite
Autora: GONÇALVES, Pam
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501106698
237 páginas


Para comprar: Submarino | Americanas | Amazon
(comprando através dos links do blog, a blogueira que vos fala ganha um dinheirinho pra investir em mais resenhas pra cá)

14 de agosto de 2017

Assisti: A Bailarina (2016)



Oi!
Depois de muito tempo, hoje venho dividir com vocês mais um filme que assisti. A Bailarina me chamou a atenção desde a primeira vez que assisti ao trailer e li a sinopse, e contei os dias para assistir no cinema. Infelizmente na época não consegui ver nas telonas, mas nessa semana a animação entrou para o catálogo da Netflix e eu finalmente pude descobrir se atendia ou não às minhas expectativas.

A Bailarina é a história de Felicie e o seu sonho de se tornar bailarina. Junto a Victor, seu melhor amigo, ela foge do orfanato em que vive e parte para Paris com o objetivo de conseguir um papel na grande ópera da cidade. Porém, para ser aceita na companhia é necessário muito mais do que a paixão pela dança, e isso é apenas um dos obstáculos que a garota encontra pelo caminho.


Muito que bem, já começo respondendo que não atendeu às minhas expectativas. O principal motivo para me interessar pela história foi o fato de que eu também sou bailarina desde criança, e tirando os filmes das Barbies bailarinas e Cisne Negro, ainda é difícil ver histórias sobre isso e mais ainda que tratem o ballet de uma forma não-romantizada.

No caso de A Bailarina, as coisas até começam bem: Felicie usa a dança como hobby no orfanato onde vive, e isso é o que a ajuda a superar os problemas. A partir do momento em que ela passa a frequentar os ensaios na ópera de Paris e descobre que o ballet exige muita técnica além do sentimento, o filme poderia seguir por diversos caminhos, mas sinto que seguiu pelo menos apropriado.

Veja bem, sem querer ser chata. Uma bailarina se constrói com sentimento, sim, mas também com técnica. E técnica só vem com o tempo e com muito, muito e digo mais uma vez muito treino. É por esse motivo que bailarinas as vezes dedicam suas vidas todas à dança e mesmo assim não acabam satisfeitas com a evolução que tiveram, ou não conseguem executar um passo específico com precisão.

Nessa animação, Felicie passa de uma garota sem técnica alguma, que não tinha conhecimento nem sobre as posições de braços e pernas no ballet, para a garota prodígio que chama a atenção do diretor da ópera. E tudo isso em questão de semana. Executando passos na sapatilha de ponta. Tendo um alongamento de dar inveja a qualquer bailarina profissional.



Ok, estamos falando de uma animação, um desenho, um filme. Mas é justamente esse o problema. Representar o ballet dessa maneira pode criar uma expectativa irreal nas crianças que, por ventura, assistirem e se interessarem em praticar.

Ninguém aprende ballet em duas semanas. Mesmo com anos de prática, algumas pessoas simplesmente não conseguem. E mostrar algo diferente disso em um filme voltado ao público infantil é, no mínimo, perigoso e irresponsável.

O mérito fica para a parte estática e trilha sonora do filme. As artes são muito bem feitas, com cenários bem construídos e que muitas vezes se confundem com a realidade. O trabalho de animação também merece destaque, pois foi capaz de reproduzir com perfeição a sutileza dos movimentos do ballet.

Já na trilha sonora, a música clássica se funde a canções mais próximas ao pop, com participação inclusive da música Confident, de Demi Lovato, criando um ambiente mais jovem sem deixar de lado o contexto do ballet.

Apesar das críticas, acredito que cada pessoa tenha condições de fazer uma leitura diferente do filme e que, principalmente aqueles que não tenham um contato tão próximo com a dança como eu tenho, possam aproveitar os pontos altos da animação.


11 de agosto de 2017

John Green divulga capa do seu novo livro "Turtles All The Way Down''

Quando nosso autor favorito anuncia que vai lançar um livro novo mais de seis anos depois da publicação do último, o coração já bate mais forte. Mas quando, aos poucos, isso vai se tornando palpável, tudo o que podemos fazer é divulgar e enaltecer, não é mesmo?

Após o anúncio da publicação do seu próximo livro Turtles All The Way Down no dia 10 de outubro, John Green resolveu mais uma vez acabar com qualquer estrutura emocional que possamos ter e divulgou na última quinta-feira (10) a capa, com exclusividade e ao vivo no programa Good Morning America.



A sinopse pode não atrair aos fãs de A Culpa é das Estrelas, já que não deixa claro nenhum elemento mais romântico: em Turtles All The Way Down (ainda sem título em português), vamos conhecer a história de Aza Holmes, uma jovem de 16 anos em busca de um bilionário desaparecido para tentar ganhar a recompensa oferecida. Um livro sobre amizades duradouras, reencontros inesperados, fan fictions de Star Wars e répteis neozelandeses.
Pra quem já conhece mais a fundo outras obras do autor, como Cidades de Papel (tem resenha e livro x filme, viu?) ou até o não tão querido Teorema Katherine, a história parece ter aquela vibe incrível de road-trip que os dois livros citados anteriormente trouxeram. O bônus, no caso, é uma personagem com um transtorno que o autor conhece bem e convive - o TOC. 

Em entrevista ao Entertainment Weekly, John Green deixa claro: apesar de conter muitos elementos da sua vida pessoal, assim como as obras anteriores que escreveu, Turtles All The Way Down é uma história fictícia tanto quanto as outras.

“Há anos que trabalho em Turtles All The Way Down e estou animado para compartilhar essa história com os leitores, em outubro. É minha primeira tentativa de escrever diretamente sobre o tipo de distúrbio mental que afeta minha vida desde a infância, então, embora seja uma história ficcional, também é algo muito pessoal.” diz Green.

Por enquanto, ficamos na ansiedade. A boa notícia é de que a Editora Intrínseca já confirmou a publicação simultânea do traduzido no Brasil no dia 10 de outubro! Ou seja, nada de esperar pela tradução roendo as unhas e pegar aquele spoiler da amiga que já leu e inglês.

Pra quem é mais ansioso e curte uma relíquia (além de ter essa grana pra gastar e quiser me presentear), a Amazon já está com pré-venda aberta para a edição hardcover em inglês, e o melhor de tudo: autografada pelo autor! Você pode comprar clicando nesse link aqui, ó. Não esquece de colocar minha cópia no carrinho e me enviar depois ;) Brincadeira. Ou não.

Abaixo, você pode conferir o vídeo do momento da divulgação da capa ao vivo no Good Morning America.

4 de agosto de 2017

Wishlist de lançamentos #4

Oi!
É real: eu voltei. E nada melhor do que voltar em grande estilo trazendo pra vocês os lançamentos que mais me fizeram querer estourar meu cartão na Amazon no último mês. Dentre eles, tem Young Adult escrito por booktuber <3 e muito thriller - ambos meus gêneros favoritos. Vem ver!

1. Quinze Dias - Vitor Martins (Globo Alt)


Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática.
Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.
Vitor é um dos meus booktubers favoritos e - além de ser um fofo - o motivo é que nossos gostos literários são bastante parecidos. Nunca deixo uma indicação dele passar batida. É por isso que tenho certeza que vou mergulhar de cabeça no primeiro livro dele, que tem tudo pra entrar pra lista de melhores Young Adults nacionais. Para comprar: Amazon | Submarino.


2. Até que a culpa nos separe - Liane Moriarty (Intrínseca)


Amigas de infância, Erika e Clementine não poderiam ser mais diferentes. Erika é obsessivo-compulsiva. Ela e o marido são contadores e não têm filhos. Já a completamente desorganizada Clementine é violoncelista, casada e mãe de duas adoráveis meninas. Certo dia, as duas famílias são inesperadamente convidadas para um churrasco de domingo na casa dos vizinhos de Erika, que são ricos e extravagantes.
Durante o que deveria ser uma tarde comum, com bebidas, comidas e uma animada conversa, um acontecimento assustador vai afetar profundamente a vida de todos, forçando-os a examinar de perto suas escolhas - não daquele dia, mas da vida inteira.
Liane Moriarty caiu nas minhas graças desde que conheci O Segredo do Meu Marido, que foi resenhado aqui lá nos primórdios do blog. Sempre com tramas envolvendo mistérios, segredos e relações humanas, é impossível entrar em uma história da autora e não devorar o livro com avidez até a última página. Tem como não ficar curiosa? Para comprar: Amazon | Submarino.


3. Piano Vermelho - Josh Malerman (Intrínseca)




Ex-ícones da cena musical de Detroit, os Danes estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder de destruição. Com uma narrativa tensa e surpreendente, Josh Malerman combina em Piano Vermelho o comum e o inusitado numa escalada de acontecimentos que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo.
Caixa de Pássaros foi um dos thrillers recentes que mais me deram medo (você pode ler a resenha clicando aqui). Conhecer uma nova história do autor é ao mesmo tempo empolgante e assustador: e se a magia da narrativa de Josh se limitar somente ao seu livro de estreia? De qualquer forma, Piano Vermelho é minha próxima opção de leitura. Para comprar: Amazon | Submarino.

4. Esposa Perfeita - Karin Slaughter (Harper Collins)




Com a descoberta de um corpo de um ex-policial em um canteiro de obras, o detetive Will Trent é chamado para resolver um caso muito perigoso. Ao analisar o cadáver, Sara Linton – nova investigadora forense e amante de Will – nota que parte do sangue do presente na cena do crime é de outra pessoa. Há uma outra vítima: uma mulher, que desapareceu... E que vai morrer se não for encontrada logo. Evidências conectam o passado turbulento de Will com o crime... E as consequências vão despedaçar sua vida, colocando Will em conflito com todos ao seu redor, incluindo seus colegas de trabalho, sua família, seus amigos e, acima de tudo, o suspeito que ele tanta procura: sua ex-mulher.
Em um primeiro momento, o que mais me chamou a atenção para esse livro foi a capa: essa tendência das capas com mulher bonitas e letras bastonadas na capa me pegou. Porém, a sinopse conseguiu me convencer. Amo thrillers e a história me parece ser bastante imprevisível. Para comprar: Amazon.