7 de fevereiro de 2017

[Especial 'Aconteceu Naquele Verão'] Inércia, por Veronica Roth

O que eu sabia era que o amor era um pequeno vaga-lume ao longe, piscando no momento em que eu mais precisava.

Dando continuidade à semana especial sobre o livro Aconteceu Naquele Verão, hoje vim falar um pouco sobre o meu conto favorito: Inércia, da Veronica Roth.

Inércia se passa em um mundo distópico onde as pessoas que estão prestas a morrer têm a chance de reviver suas memórias com algum ente querido escolhido por ele. Mais especificamente, quando alguém vai passar por um procedimento cirúrgico e tem grandes chances de morrer, o paciente escolhe uma pessoa e, momentos antes da cirurgia, se conecta à ela através das memórias. Essa tecnologia é chamada de Última Visita.

Em uma manhã, Claire recebeu a notícia que seu ex-melhor-amigo Matt havia sofrido um acidente grave e desejava vê-la em sua Última Visita. Acontece que os dois não se falavam há meses, e a notícia pegou a garota de surpresa. Apesar disso, ela resolve aceitar e mergulha em suas primeiras lembranças com o garoto, quando se conheceram em uma festa e o gosto musical em comum havia os aproximado.

Mesmo que somente dentro da lembrança e sendo impossível mudar qualquer coisa que já aconteceu, os dois iniciam uma conversa revelando os motivos pelos quais se afastaram e resquícios dolorosos do passado de ambos. Quando chega a hora de partir, a percepção do sentimento que ficou muda completamente, mas talvez seja tarde demais para qualquer atitude, afinal, a Última Visita só é concedida àqueles que tem mínimas chances de sobreviver.

Esse livro me encantou principalmente por dois motivos: o primeiro deles é a questão do pano de fundo distópico, mesmo que sendo apenas um detalhe no romance principal. Faz muito tempo que não leio distopias, mesmo sendo um dos meus gêneros favoritos. O segundo ponto é o fato desse conto falar sobre doenças psicológicas.

Não é segredo pra ninguém que qualquer livro que traga visibilidade aos neuroatípicos entra fácil na minha lista de indicações, e esse conto é um deles. Mais uma vez me vi muito na personagem da Claire e nos conflitos que ela passou quando se descobriu depressiva, e também na aceitação que foi rolando aos poucos.

O livro tem diversos contos bem engraçados e que podem agradar a todos os públicos leitores, mas ter tido essa pequena fagulha de seriedade ao tratar de um assunto como esse ganhou completamente o meu coração. Já sabem, né? Mais do que indicado! 

Se você se interessou, não esqueça de ler a resenha onde eu falei um pouco mais sobre o que você vai encontrar nesse livro. Durante essa semana todos os dias teremos um post novo sobre algum aspecto do livro, então não deixem de seguir o blog e a editora Intrínseca nas redes sociais.

Aquele abraço me transformou em papel outra vez, casca de ovo, vidro de açúcar e folha de outono. Como foi que não reparei nesse sentimento da primeira vez? (Página 207)

6 de fevereiro de 2017

[Resenha] Aconteceu Naquele Verão - org. Stephanie Perkins

Ao contrário dos dias de verão, as noites de verão eram mágicas. Os raios de sol se alongavam em uma carícia suave, as cigarras cantavam em sua orquestra de insetos e o asfalto emanava um calor preguiçoso e delicioso.


Começa hoje aqui no blog a semana especial do livro Aconteceu Naquele Verão! Todos os dias vai ter um post diferente falando sobre algum aspecto do livro e até compartilhando com vocês histórias divertidas que vivi durante o verão. A semana especial é uma iniciativa da Intrínseca e vocês podem conferir os outros blogs participantes nas redes sociais da editora! Pra começar, vamos conhecer melhor o livro?

Aconteceu Naquele Verão é uma coletânea de contos organizada pela Stephanie Perkins e tem histórias de autores que já são os grandes queridinhos dos leitores de YA, como Leigh Bardugo, Cassandra Clare, Veronica Roth e Jennifer E. Smith. Os contos giram em torno de histórias de amor e tem as férias de verão como o pano de fundo em comum. 

Apesar de serem todos contos com histórias de amor, cada um deles tem uma característica única de cada autor. O conto da Leigh Bardugo, 'Cabeça, escamas, língua e cauda', por exemplo, tem um toque de fantasia que faz toda diferença na história. Já a Veronica Roth, autora da saga Divergente, trouxe um mundo distópico para 'Inércia', que acabou se tornando um dos meus contos favoritos.

É claro que os casais LGBT's não ficariam de fora, e Nina LaCour e Tim Federle nos presenteiam com os casais mais fofos já vistos habitando o mundo dos romances nos contos 'O Fim do Amor' e 'Lembranças'. Ponto pra representatividade, que está presente não só nos casais homoafetivos, mas também nos inter raciais.


Sendo eu uma grande fã de histórias de amor, é óbvio que eu adoraria a coletânea, mas o que mais me encantou foi a forma como cada autor conseguiu deixar sua marca nos contos. Apesar de não conhecer o trabalho da maioria deles, os que conheço deixaram nítidos seus estilos de escrita em cada história.

O fato de vários outros gêneros serem explorados junto ao romance e ao YA também me surpreendeu - li gêneros que eu não leria em outras oportunidades, como é o caso do terror e da fantasia, que são estilos que não estão incluídos no meu repertório de leitura com muita frequência. Ou seja, se você não curte muito romance, o livro ainda assim pode ser uma boa indicação de leitura pra você! 

Não vou me prolongar muito em detalhes sobre cada história, principalmente por serem contos curtos e o risco de spoiler ser muito grande. Durante o restante dessa semana falarei mais sobre outros aspectos do livros, dentre eles especificamente sobre meu conto favorito. Fiquem de olho!

Ponto a mais para a capa e toda a arte do livro. É divertidíssimo ler os contos e procurar cada personagem na capa (sim, todos estão por lá!). Se você já leu e gostou, fica também a dica para procurar a coletânea O Presente do meu Grande Amor, também lançado pela Intrínseca, mas que traz contos de amor que se passam nos feriados de natal e ano novo. 

Infos:
Título original: Summer days and summer nights
Organização: PERKINS, Stephanie
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788551001158
382 páginas

Livro cedido para resenha pela editora.
Para comprar: Amazon | Submarino | Americanas
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2 de fevereiro de 2017

[Resenha] Novembro 9 - Colleen Hoover

Uma das coisas que sempre tento lembrar a mim mesma é que todo mundo tem cicatrizes (...). Muita gente tem umas ainda piores do que as minhas. A única diferença é que as minhas são visíveis e a da maioria das pessoas, não.

Fallon é uma garota de 18 anos que viu a sua vida ser completamente mudada por um incêndio há dois anos. Ela, que era a jovem estrela de uma série de TV, acabou por se tornar narradora de audio books por não se encaixar mais nos altos padrões de perfeição que suas cicatrizes destruíram. Depois do acidente, o dia 9 de novembro passou a ser extremamente doloroso para ela.

Porém, isso muda quando no aniversário de dois anos do incêndio ela conhece Ben, um aspirante a escritor que se passa por seu namorado para livrar Fallon dos julgamentos maldosos de seu pai. O que era pra ser um romance de fachada se torna uma atração física real ao final do dia, mas como nem tudo são flores, algumas coisas impedem que o casal se torne real: Fallon está de mudança para Nova York para retomar seu sonho de ser atriz e tentar audições para a Broadway, além de seguir uma regra de não se envolver emocionalmente com nenhum rapaz antes dos 23 anos.

É então que surge uma ideia um tanto quanto improvável, mas que ambos prometem se empenhar para dar certo. Ben e Fallon se encontrarão apenas uma vez por ano, durante 5 anos, no dia 9 de novembro. Enquanto isso, ela irá fazer o possível para alcançar seu sonho de retornar ao teatro, e Ben se comprometerá a escrever um romance sobre a história dos dois, independente do que aconteça. Trato feito, cada um dos dois parte para um futuro imprevisível com a única certeza de que precisam se reencontrar dali a 365 dias.


O livro todo realmente se passa somente no dia 9 de novembro de um dos 5 anos em que Ben e Fallon prometem se encontrar. É só através dos acontecimentos desse único dia, narrados pelo ponto de vista de cada um, que descobrimos os rumos que a vida dos dois acabaram tomando. Esse modelo de narrativa me deixou bastante instigada para conhecer mais do casal a cada capítulo, mas também me cansou um pouco por ser tão focado apenas no romance antes eles, enquanto eu sentia cada vez mais vontade de conhecer mais a fundo os personagens individualmente.

Toda a questão do instalove entre os dois também me desagradou, e mesmo ganhando uma explicação através do contexto da história não me convenceu. É óbvio que duas pessoas podem se sentir atraídas logo quando se conhecem, mas todo o drama e a intensidade do amor entre Ben e Fallon logo de cara não me convenceu. Faltou uma construção gradativa do amor, e lá pra metade do livro as declarações dos dois já haviam se tornado monótonas. 

Apesar desses pontos que me desagradaram, é impossível não dar à Colleen Hoover os devidos méritos. Ela consegue colocar tanto sentimento em pequenos gestos e frases, que tem a capacidade de fazer derreter até o coração gelado do leitor mais descrente no amor. Vale destacar a pitada de mistério e desgraçamento que todo livro da autora tem, sempre guardando para algum dos personagens algum trauma ou passado sombrio. Mesmo já tendo se tornado uma marca registrada um tanto clichê da autora, ela ainda consegue surpreender.

Novembro 9 foi mais um dos livros da autora que me fizeram sentir as mais diversas sensações através da mesma história. Colleen Hoover tem o poder de transformar palavras em sentimentos, e é isso que continua me surpreendendo e me fazendo admirar cada vez  mais a autora. Mais um livro dela que entrou pra minha lista de favoritos! Recomendadíssimo.


Infos:
Título original: November, 9.
Autora: HOOVER, Colleen
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501076250
350 páginas

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