19 de agosto de 2016

[Resenha] Pax - Sara Pennypacker

Às vezes, na verdade, Peter tinha a sensação de que ele e Pax eram um só. 

Você já imaginou como seria ser obrigado a abandonar seu bichinho de estimação à própria sorte? É essa a situação em que Peter se vê no início da história de Pax.

Com a guerra se aproximando e seu pai se preparando para as batalhas, Peter é obrigado a se mudar para a casa de seu avô, que não permite animais. Dessa maneira, o garoto acaba aceitando a ideia de seu pai de que o melhor a fazer é devolver Pax - sua raposa macho de estimação - à natureza. Menos de 24h depois de deixá-lo em um bosque na metade do caminho entre sua casa e a casa de seu avô, Peter se arrepende da decisão e resolve que voltará buscar o seu animalzinho.

Ao mesmo tempo em que Peter vive as aflições de estar a própria sorte e sozinho no mundo, Pax experimenta pela primeira vez a sensação de liberdade, já que foi resgatado ainda bebê pela família do garoto e nunca chegou a conhecer a vida selvagem. Ele passa a ter uma percepção melhor dos seus instintos, descobre outros animais e, pela primeira vez, vive junto aos seus iguais ao conhecer Miúdo e Arrepiada, duas raposas que vivem naquele território.

Enquanto Peter e Pax lutam para se reencontrarem, o terror da guerra se aproxima. É comum Pax notar a presença dos 'doentes de guerra' em um acampamento próximo à floresta, e Peter já não se amedronta com as notícias dos jornais. Para ambos, apenas uma coisa importa: reencontrar o seu melhorar amigo.


Essa história me tocou muito do início ao fim. Logo nas primeiras páginas as lágrimas já inundaram meus olhos e não pude deixar de me identificar muito com Peter. Eu obviamente não tenho uma raposa, mas sei que o sentimento que o garoto cultiva pelo animal é muito próximo ao que tenho com meus gatos. A todo momento me imaginava no lugar dele e sentia o coração apertar demais.

Mas não só de tristeza e emoção o livro é feito. Ao intercalar os pontos de vista de Peter e Pax, também é possível experimentar as sensações completamente novas da raposa - a euforia ao avistar pela primeira vez os pássaros, a ternura com que a relação de Pax, Miúdo e Arrepiada vai sendo construída e, claro, a lealdade com que ambos persistem em buscar um ao outro. Foi sentimento do início ao fim!

Além de uma história comovente, Pax também nos entrega um presente aos olhos, com uma edição mais do que caprichada, muitos detalhes e ilustrações maravilhosas. O livro é uma ótima indicação de presente para todas as idades, e é uma daquelas histórias que sempre acrescentarão mais e mais em cada diferente época e leitura. Muito mais que recomendado, principalmente para quem, assim como eu, tem uma relação muito forte com seus bichinhos ❤.


Infos:
Título original: Pax
Autora: PENNYPACKER, Sara
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788551000229
288 páginas
Livro cedido para resenha pela editora.
Para comprar: Submarino | Americanas | Amazon
(comprando através dos links do blog, a blogueira que vos fala ganha um dinheirinho pra investir em mais resenhas pra cá)

11 de agosto de 2016

Projeto Jornalista: quinto semestre

Oi! Esse post faz parte da série Projeto Jornalista. Para conferir os anteriores é só clicar aqui


Esse último semestre da faculdade foi tão maluco que precisei de um tempo pra absorver tudo que aconteceu - por isso a demora pra esse post sair. Mas hoje, depois de discutir o assunto com alguns colegas (sim, fizemos o balanço sobre tudo que aconteceu), consegui chegar a uma conclusão. O quinto semestre não foi dos melhores, mas deu pra sair viva.

Posso dizer que esse semestre foi o das "primeiras vezes", onde venci muitos medos. A começar pela continuação do meu projeto de iniciação científica: pesquisador não tem férias não, e é por isso que pleno janeiro, verão, praia e diversão, lá estava eu terminando meu relatório parcial de atividades. Era a hora de colocar no papel tudo que fiz e não fiz naqueles primeiros meses de pesquisa. Confesso aqui que não foi tão difícil quanto eu imaginava (mas mal sabia eu o que me esperaria no relatório final!).

Logo no início das aulas já me vi diante do maior desafio que enfrentei, acredito, durante toda a graduação. Uma das etapas da minha pesquisa consistia em entrevistar o idealizador do Fluxo, o jornalista Bruno Torturra. Eu sabia que essa hora chegaria, mas não estava exatamente preparada. Larguei tudo e fui pra São Paulo tremendo o caminho todo, com o choro na garganta e com medo de tudo dar errado. Eu já tinha entrevistado outras pessoas durante o curso, obviamente. Mas aquela era minha primeira entrevista grande, com um jornalista que vem sendo um dos responsáveis por inovar no jornalismo brasileiro. Não era fácil. Mas fui muito bem recebida, fiz minha entrevista e fui embora muito, muito realizada, sentindo que estava no lugar certo, fazendo exatamente aquilo que sempre quis.

As aulas de fotografia eram meio que um refúgio, não vou negar.

E como saí dessa realização tão grande para, no momento seguinte, pensar em abandonar o curso? A pressão desse quinto semestre era extrema. Além da iniciação científica que tomava uma parte considerável do meu tempo, ainda precisei lidar a tensão de duas disciplinas um tanto quanto difíceis, com professores maravilhosos, porém muito exigentes; a produção das disciplinas práticas que exigiam muito tempo e dedicação e ainda toda a parte prática da pesquisa iniciada no semestre anterior, que estudava os critérios de noticiabilidade no boletim G1 em 1 minuto. Não vou negar que em muitos momentos esqueci toda aquela motivação e paixão que me moveram durante os semestres anteriores e pensei em desistir. Muitas vezes chorei ao chegar em casa e ver a quantidade de matéria acumulada, trabalhos, pautas... Sendo sincera, eu não consigo imaginar de onde tirei forças para chegar até o final.

Acredito que grande parte dessa força veio de um evento que participei. O Intercom é um congresso de profissionais e pesquisadores da área de comunicação, e a edição do Sudeste desse ano foi em uma cidade bem perto de Campinas. Me inscrevi e tive meu trabalho aceito! E lá fui eu falar sobre os resultados da minha pesquisa de iniciação científica. Mais um desafio gigante pra mim, que na hora pareceu tão pequeno, que só consegui me sentir mais realizada. Participar desse evento foi muito importante não só pro meu currículo lattes, mas também pro meu crescimento como jornalista. Acompanhei outros trabalhos incríveis na área, estreitei relações com meus professores e tive, mais uma vez, a certeza de que todo o sofrimento não tem sido em vão.


Dentre as disciplinas que contemplavam esse semestre, surgiram algumas novas paixões, como a diagramação. Sempre me interessei por design e poder aplicá-lo ao jornalismo foi incrível. Também revisitei amores antigos, como o jornalismo impresso e o online, e acabei descobrindo o fantasma do jornalismo de dados, que continua me assombrando mesmo depois do fim das aulas. Também tive a oportunidade de expandir e muito meu repertório cultural através das aulas de documentário (que infelizmente foram só teóricas) e de estética, que acabei me apaixonando.

Consegui concluir o semestre melhor do que imaginei, e acabei rindo de mim mesma por ter passado todo aquele tempo imaginando que não conseguiria. Mas a pior parte veio depois, durante as férias: o relatório final da iniciação científica e meu artigo para publicação. Sempre tive facilidade na escrita, e o relatório parcial tinha sido fichinha pra mim, logo, não teria como piorar, né? Ah, teria! E piorou. Não tive um dia sequer de descanso durante o mês de julho. Todos os dias foram dedicados à redação do relatório e do artigo, revisão da bibliografia para construir melhor o texto, e-mails e mais e-mails trocados com meu orientador, lágrimas e, por fim, a correção do texto por pelo menos umas 7 vezes. Achei que ia morrer? Achei que nunca mais na vida me meteria em pesquisa? Me senti uma analfabeta sem conseguir construir uma linha de texto? 'Sim' para todas as questões.

E agora pro segundo semestre dá pra esperar muita paz e sossego, já que a iniciação científica acabou, né? Nada disso. Finalmente consegui meu primeiro estágio! Os desafios só estão começando e eu tô pronta pro que vier ❤

10 de agosto de 2016

[Resenha] Tá todo mundo mal - Jout Jout

Nada mais reconfortante para quem está numa crise do que saber das crises dos outros e ficar medindo em silêncio sobre se a deles é pior ou mais branda que a nossa própria. Então aqui estou. Enumerando gentilmente meus piores momentos. Para você avaliar se os seus foram um pouquinho melhores e ter um sono mais tranquilo.

Ganhando o posto de o livro das crises, Tá todo mundo mal traz pequenos textos (ou crônicas, segundo sua catalogação) da youtuber Julia Tolezano e os mais variados tipos de crises que já tiraram sua paz. Jout Jout, que é conhecida por seus vídeos onde trata sobre assuntos importantes em um tom descontraído, conseguiu deixar sua marca em cada linha do livro. Mas até que ponto isso é bom?

Explico. Não achei o livro ruim - eu inclusive gostei muito, dei muitas risadas com algumas histórias, fiquei com o coração quentinho em outras, e menos de 24 horas depois do início da leitura já havia lido as quase 200 páginas. Porém, é fácil identificar dentre as crônicas algumas histórias já conhecidas pelos espectadores assíduos do canal. Uma delas, inclusive, já havia sido reproduzida na fanpage da youtuber no facebook. Concluo então que o livro não traz muitas novidades perante os vídeos, recheados de assuntos polêmicos, crises e quebras de tabu. Pra quem é fã mesmo, porém, os textos são um prato cheio.

É um livro muito fácil de se identificar - mais uma vez, soando até repetitiva: assim como os vídeos da Jout Jout - e esse é o ponto que realmente me ganhou. É fácil encontrar vestibulandos que não têm certeza de qual curso os contempla; universitários insatisfeitos com suas escolhas; namoradas que sentem um medo irracional toda vez que o parceiro vai até a padaria e dentre muitas outras histórias e crises que Julia descreve no livro. Como ela cita logo no início: é reconfortante saber que você não está sozinho com suas neuras.

Alguns textos me emocionaram muito, como o prefácio escrito por Caio, namorado de Julia, e o capítulo totalmente dedicado a ele e que conta um pouquinho sobre a história do casal. Também me senti muito inspirada pela crônica em que a youtuber descreve como conseguiu realizar seu sonho de trabalhar em uma editora de livros e como isso foi importante e gratificante para ela.


Pra quem espera uma fórmula diferente daquela explorada nos livros de outros youtubers lançados atualmente, pode rolar uma decepção. Tá todo mundo mal é sim um livro de youtuber, e o fato de Jout Jout ser mais descolada que Kéfera ou Maju Trindade, por exemplo, não muda isso. As crônicas podem ter um tom diferente das já citadas youtubers adolescentes, mas a fórmula que alia a diagramação que abusa de fontes grandes e páginas praticamente em branco + textos curtos sobre a vida da youtuber ainda é utilizada nesse caso, mudando somente o público alvo - mais crítico, no caso de Julia.

Apesar de ter gostado muito do livro (sou fangirl mesmo da Jout Jout), algumas críticas precisam ser feitas, e aqui tomo a liberdade de utilizar as palavras da Tati Feltrin, que fez um vídeo bastante interessante debatendo esse boom dos livros de youtubers utilizando justamente o Tá todo mundo mal como exemplo. Ainda que eu não concorde com algumas falas, a Tati consegue sintetizar bem alguns pontos que tentei (e falhei) trazer para a resenha.

Citados os pontos positivos e também os negativos, deixo a minha indicação para os fãs de Jout Jout, mas principalmente para aqueles que ainda não conhecem o trabalho dela a fundo e ainda terão a oportunidade de se surpreender (positiva ou negativamente) com a forma leve com que Julia expõe suas crises, sempre deixando, ao final, uma maneira melhor de enxergar essas situações.

Infos:
Título original: Tá todo mundo mal - o livro das crises
Autora: TOLEZANO, Julia (Jout Jout)
Editora: Cia. das Letras
ISBN: 9788535927207
196 páginas

Para comprar: Submarino | Americanas | Amazon
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8 de agosto de 2016

BOOK HAUL do mês de Julho/2016

Oi!

Nesse último mês adquiri e recebi poucos livros, mas todos são tão lindos que resolvi mostrar pra vocês nesse book haul. Ah! Também teve um item liiindo e que todo apaixonado por livros vai adorar, vindo diretamente da lojinha da Juliana Fiorese. Em breve vou fazer um post por aqui falando mais sobre essa ilustradora que tem trabalhos maravilhosos.


Você pode comprar os livros citados no vídeo através da Amazon, Submarino ou Americanas e gerar comissão para o blog! :)

4 de agosto de 2016

#ValorizeOBooktube

Oi!

Na semana passada o assunto no booktube foi somente um: a campanha de valorização do nosso trabalho, lançada pelo Victor do Geek Freak. A partir do vídeo dele e da hashtag #ValorizeOBooktube, produtores de conteúdo desse nicho tão maravilhoso mostraram sua indignação com relação às práticas abusivas de algumas editoras.

Se você chegou agora ou não entende muito bem como a coisa funciona vou te explicar. Sabe aqueles vídeos enormes de book haul, com pilhas e mais pilhas de livros e que todo mundo adora? Muitos daqueles livros são enviados pelas editoras através de parcerias. O que pode a primeira vista parecer uma ótima maneira de aumentar o número de exemplares da sua estante esconde por trás alguns poréns.

Essas parcerias funcionam através de permuta. As editoras enviam os livros e os parceiros enviam em troca a sua resenha/divulgação/whatever. Cada editora tem suas regras, mas num geral, o parceiro é quem solicita os livros de seu interesse, e só pode solicitar outros mediante entrega da resenha. Para mim, esse modelo de parceria não tem problema algum. Acontece em vários nichos além do booktube, e é uma maneira bacana dos canais e blogs menores estarem em contato com lançamentos e divulgarem o seu trabalho através das editoras.

Porém, algumas outras editoras trabalham de uma maneira um pouco mais complicada e muitas vezes abusiva, enviando dezenas de livros não solicitados e obrigando o parceiro a realizar a leitura e a entregar uma resenha. Muitas vezes, quando as resenhas são negativas, também obrigam o blogueiro ou booktuber a retira-la do ar. E é esse um dos pontos principais dessa campanha.

Apesar de falarmos sobre os mesmos assuntos, os blogs e canais literários tem seus sub-nichos, tem seu público que se interessa por um ou mais gêneros específicos. Ao enviar todos os lançamentos sem nenhum critério, as editoras ignoram essas especificidades de cada mídia. Por exemplo: meu gênero favorito é Young Adult, foi através dele que comecei o blog e é esse o gênero que predomina entre minhas leituras. Logo, imagino que seja também o gênero que atraiu meus leitores e inscritos. Qual o ponto de uma editora me enviar um livro, por exemplo, de romance histórico e me obrigar a mostrar isso para meu público? Nem eu, nem a editora, e muitos menos o meu público terá benefício algum com isso.


O booktube, apesar de crescer mais a cada dia, continua sendo o nicho esquecido. Somos ótimos para divulgar os lançamentos, mas para ações pontuais (como foi o caso da divulgação do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam) as marcas continuam escolhendo influenciadores somente através dos seus números, e que muitas vezes nada tem a ver com o produto específico. Vejo muitas vezes algumas editoras enviando vários lançamentos para blogueiras famosas de outros nichos, como beleza e moda. Elas também são cobradas para que entreguem resenhas?

Acho importante ressaltar que, de maneira alguma, essa campanha se trata se uma guerra ou boicote às editoras. O ponto principal é mostrar o nosso lado, as nossas reivindicações, mas também ouvir o que as editoras têm a dizer, entender o lado deles, e chegarmos juntos a uma melhor saída para todos. A campanha é, também, um convite à reflexão para os próprios produtores de conteúdo relacionado à literatura: como você valoriza o seu próprio trabalho? 

Hoje eu sei que mantenho entre minhas parcerias somente editoras que realmente tem algo em comum com o Poesia Destilada e, principalmente, respeitam o trabalho que faço aqui e no canal. Mas, lá no começo, já fui o tipo de pessoa que se inscrevia em todas as parcerias que abriam processo seletivo, sem ao menos conhecer o catálogo da editora, e acabava com uma pilha de livros que eu não tinha vontade alguma de ler só pelo status que era encher minha barra lateral de selos de parceria. A reflexão é válida: suas parcerias realmente são algo que te trazem bons frutos? Ou o ponto é só encher sua estante e ganhar status?


1 de agosto de 2016

Livros & filmes - Julho de 2016

Oi!

Mês de julho é mês de férias. Ou seja: muitas leituras, né? Só que não.
Planejei super minhas leituras durante as férias e esperava ler muuuito mais, mas acabei empacada no meu relatório final da iniciação científica, que se somou ao maior livro que li esse ano e um outro que não conseguiu fluir tão bem. Resultado? Só dois livros lidos nesse mês :(

Porém, compensei isso assistindo alguns filmes! Durante o período letivo eu não consigo me dedicar tanto aos filmes, então tentei compensar isso durante as férias. Além dos filmes que citei no vídeo, também aproveitei pra colocar as séries em dia - e nesse quesito, o meu tempinho de descanso rendeu bem!


Se você se interessou por algum dos livros que citei, você pode conferir a resenha e também comprar através dos links do blog logo abaixo!

Destinos e Fúrias: Resenha | Para comprar: Amazon, Submarino, Americanas
O Último Adeus: Resenha EM BREVE | Para comprar: Amazon, Submarino, Americanas
Harry Potter e a Ordem da Fênix: Resenha EM BREVE | Para comprar: Amazon, Submarino, Americanas