30 de junho de 2016

[Resenha] Dias Perfeitos - Raphael Montes

Queria estar na última fileira do cinema com Clarice. Ela o havia beijado naquele churrasco. Por que parar? Do beijo, furtado e furtivo, ele havia se tornado refém. Não era o invasor, mas o invadido; não queria só desvendar, mas ser desvendado. Ele amava Clarice, admitiu. Precisava ser amado.

Sou apaixonada por thrillers, e conhecer um nacional que não perde em nada para Gillian Flynn ou Stephen King é algo que merece ser compartilhado! Dias Perfeitos me deixou vidrada, e em menos de 2 dias concluí essa que foi uma das leituras mais incríveis até agora.

Téo divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e as aulas na faculdade de Medicina. É um garoto solitário e com gostos e atitudes peculiares - como por exemplo, fazer amizade com os cadáveres de suas aulas de anatomia. Além disso, tem uma relação um pouco complicada quando o assunto são as outras pessoas; dificilmente consegue sentir algo que ultrapasse o nojo por outro ser humano.

Mas Clarice consegue mudar isso. A garota é leve, de espírito livre e conversa fácil, e ao se encontrarem num churrasco, acabam se conhecendo e se beijando. O que antes era um coração gelado se enche de uma paixão intensa pela garota, e Téo decide que fará o possível e o impossível para encontrá-la, mesmo sabendo pouquíssimas coisas sobre ela.

Ele então dá um jeito de descobrir em qual faculdade Clarice estuda e passa a persegui-la. Nas aulas, nos passeios, descobre onde é sua casa... Até o dia em que a encontra bêbada num bar. Téo faz a linha "salvador da pátria" e a leva para a casa. E é a partir daí que as coisas passam a ficar bastante estranhas.

Téo começa a visitá-la aleatoriamente, de surpresa, agindo como se fosse um amigo íntimo de Clarice. A garota percebe essa pequena invasão de privacidade e acaba discutindo com o rapaz, que não encara nada bem a situação e acaba tomando atitudes um pouco drásticas com relação à rejeição que sofre.


Esse livro me deixou extremamente incomodada logo nas primeiras 50 páginas. A obsessão que Téo desenvolve por Clarice é completamente doentia, e eu me senti muito desconfortável com as atitudes que ele tomava com relação à ela, desde persegui-la até os pensamentos que ele deixava transparecer (apesar de o livro ser escrito em terceira pessoa, os pensamentos de Téo são sempre bem explicitados pelo narrador).

Não vou negar que pensei em desistir do livro, tamanho era o desconforto que ele me causava. Mas aí refleti melhor, e retomei aquele pensamento que sempre deixo pra vocês por aqui: um bom livro é aquele que nos faz sentir coisas, e nem sempre essas coisas são boas. No caso de Dias Perfeitos, da primeira até a última página, Raphael Montes conseguiu me encher de medo, indignação, aflição, revolta, tristeza... E um livro que traz tantos sentimentos assim não pode ser considerado menos que incrível. É meio assustador pensar que essa história saiu da cabeça de outro ser humano, confesso. Não quero ter que encontrar o autor numa rua escura jamais!

O livro em si é cheio de referências a ele mesmo. O título remete ao roteiro que Clarice escrevia, também chamado de Dias Perfeitos (e podemos dizer que também se refere à visão de Téo sobre tudo aquilo que acontece na história) e a capa faz referência à pousada onde Téo e Clarice vêm a se hospedar no decorrer do livro. 

Eu poderia dizer que o ponto alto do livro é o final, mas eu estarei me enganando e enganando a vocês. O livro todo dá a sensação de que o leitor chegou ao clímax, para algumas páginas depois encontrar outro plot que pode ou não virar o jogo para um dos personagens. Essa leitura é mais do que recomendada aos apaixonados por thriller, mistério e livros que desgraçam a cabeça.

Infos:
Título original: Dias Perfeitos
Autor: MONTES, Raphael
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535924015
275 páginas

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27 de junho de 2016

Wishlist de lançamentos #2

Voltando com mais uma listinha dos meus lançamentos mais desejados! Dessa vez tem desde young adult até ficção científica. Vem conferir!

O Último Adeus, de Cynthia Hand (Darkside)


O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante.
Esse livro já havia me chamado atenção desde quando a publicidade sobre ele começou. Primeiro que não é do gênero comumente publicado pela Darkside. Segundo, que a capa me chamou muito atenção. Foi só ler a sinopse pra ter certeza que eu precisava conhecer essa história! E já sabemos, né: a edição com certeza será impecável. O livro já está em pré-venda pela Amazon e o lançamento está previsto para o dia 10 desse mês.

Talvez Um Dia, de Collen Hoover (Galera Record)


Sydney acabou de completar 22 anos e já fez algo inédito em sua vida: socou a cara da ex- melhor amiga. Até hoje, ela não podia reclamar da vida. Um namorado atencioso, uma melhor amiga com quem dividia o apartamento... Tudo bem, até Sydney descobrir que as duas pessoas em quem mais confiava se pegavam quando ela não estava por perto. Até que foi um soco merecido. Sydney encontra abrigo na casa de Ridge. Um músico cujo talento ela vinha admirando há um tempo. Juntos, os dois descobrem um entrosamento fora do comum para compor e uma atração que só cresce com o tempo. O problema é que Ridge tem uma namorada, e a última coisa que Sydney precisa agora é se transformar numa traidora.
Que a Collen Hoover é minha queridinha vocês já devem desconfiar. Acontece que minha última leitura da autora - O Lado Feio do Amor - me decepcionou bastante. Não vou negar: a sinopse dessa história não me atraiu muito, mas eu adoro a escrita da autora e não consigo desistir fácil assim, não! Espero não me arrepender. Talvez Um Dia foi um dos lançamentos de maio da Galera Record e já está a venda no Submarino e na Amazon.

O caderninho de desafios de Dash & Lily, de David Levithan e Rachel Cohn (Galera Record)



O novo livro de David Levithan e Rachel Cohn que juntos escreveram Nick e Nora Uma noite de amor e música acompanha a dupla Lily e Dash. Ela está doida pra se apaixonar e, pra encontrar o par perfeito, decide criar um caderninho cheio de tarefas e deixá-lo na livraria mais caótica de Manhattan. Quem encontra o moleskine é Dash, e os dois começam a se corresponder e trocar sonhos, desafios e desejos no caderninho, que vai se perdendo nos mais diversos lugares de Nova York.
Já havia achado a capa do livro muito fofinha quando a vi no Skoob, mas fui me apaixonar mesmo pela história durante o Mochilão da Record em Campinas, quando fomos apresentados a mais detalhes sobre Lily e Dash. Já quero! Também está na Amazon e no Submarino.

Welcome to Night Vale, de Joseph Fink e Jeffrey Cranor (Intrínseca)



O podcast Welcome to Night Vale conta as histórias da cidade de Night Vale, uma amistosa comunidade no meio do deserto onde todas as teorias da conspiração são reais. No formato de um programa de rádio, Cecil Palmer, locutor da rádio comunitária, informa a todos as pequenas estranhezas dessa pacata cidadezinha — onde fantasmas, anjos, alienígenas e agências governamentais misteriosas e ameaçadoras fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Desta vez, a chegada de um homem de paletó bege faz com que as vidas de duas mulheres, cada uma com seu mistério, virem de cabeça para baixo.
Esse livro me atraiu primeiramente pela capa (qual a novidade, menina Ana?), mas essa sinopse toda misteriosa me fez ficar maluca por ele! É o lançamento do mês da editora Intrínseca, e promete ser a aposta da vez da ficção científica: uma boa oportunidade pra me aventurar no gênero!


2 de junho de 2016

[Resenha] Desventuras em série, vol. 8: O Hospital Hostil - Lemony Snicket

Esta é uma história sobre Violet, Klaus e Sunny Baudelaire, e como eles descobriram na Biblioteca de Registros do Hospital Heimlich uma coisa que mudou as suas vidas para sempre, e ainda me deixa agoniado sempre que fico sozinho a noite.

O Hospital Hostil é o oitavo volume de Desventuras em Série. Para ler as resenhas dos livros anteriores, clique aqui.

Depois de serem presos pelo suposto assassinato de Conde Olaf e conseguirem escapar da prisão, o novo desafio dos Baudelaire é encontrar um bom lugar para se esconderem. Toda a cidade está empenhada em encontrá-los, e os jornais locais já estampam suas capas com seus nomes e fotografias. Em sua fuga, os irmãos chegam até o Armazém Última Chance - uma lojinha bastante isolada que ainda não recebeu os jornais diários e, por isso, ainda não sabe que os irmãos são supostos assassinos.

Porém, a sorte nunca está ao lado dos Baudelaire, e nos poucos minutos que ficaram por lá com a intenção de enviar um telegrama ao sr. Poe, acabaram sendo reconhecidos pelo entregador de jornais e precisando novamente fugir. Mas pra onde? O Armazém ficava, literalmente, no meio do nada. É nesse momento que entram em cena os Combatentes pela Saúde do Cidadão (C.S.C).

Os C.S.C são um grupo de voluntários que viajam pelo país trabalhando em hospitais, mais especificamente pregando que só a alegria tem a capacidade de curar doenças. Com a van parada em frente ao Armazém, os irmãos não enxergam outra saída se não juntarem-se aos Combatentes, que por sorte, não acreditam nas notícias publicadas pelo principal jornal da cidade - O Punodor Diário - e por isso não os reconhecem.

O próximo destino dos Combatentes é o Hospital Heimlich, uma construção um tanto quanto esquisita, metade terminada e metade abandonada. Chegando lá as crianças encontram o trabalho perfeito para alguém que precisa muito se esconder: a Biblioteca de Registros. O trabalho dos irmãos por lá é auxiliar o trabalho de Hal, o guardião da biblioteca. O local possui muitos segredos e mistérios, e Hal os proíbe de ter acesso a qualquer uma das pastas do arquivo. 

Acontece que durante mais uma inspeção nos fragmentos das anotações dos Quagmire - que ainda não foram decifradas -, Violet, Klaus e Sunny descobrem que uma das pastas da Biblioteca pode conter informações importantes sobre o que aconteceu com seus pais. Após revirarem todos os arquivos que poderiam conter alguma pista, descobrem na pasta dedicada a Lemony Snicket todo um arquivo sobre a morte dos pais. Porém, a última e mais importante página do arquivo está sumida.

Não bastasse toda a aflição por não saber o que a temida página 13 revelaria, o principal medo dos irmãos se torna realidade: Conde Olaf descobre novamente o esconderijo dos irmãos. Apesar de Klaus e Sunny conseguirem escapar, a irmã mais velha é sequestrada pelo vilão. Daí pra frente a missão dos dois é encontrar Violet com vida e convencer a todo mundo de que são inocentes do crime divulgado pelos jornais.



Esse é o primeiro livro da série em que os Baudelaire passam a viver por si mesmos, sem nenhum tutor do mal. Isso dá uma nova atmosfera ao livro, mas ao mesmo tempo nos leva a refletir sobre como seria possível 3 crianças se virarem sem a ajuda de um adulto. Como conseguiriam comida, abrigo, e segurança? 

Também é o livro em que alguns mistérios começam a tomar forma e instigar ainda mais o leitor. Nos arquivos descobertos na Biblioteca de Registros conhecemos mais sobre o passado não só dos pais dos irmãos, mas também sobre outros personagens, como o homem morto ao ser confundido com o Conde Olaf no livro anterior, o próprio Conde e a ligação entre todos esses personagens e o narrador do livro. Como já sabemos desde o princípio, Lemony Snicket teve alguma relação com o passado dos pais Baudelaire e do Conde Olaf, mas é só nesse livro que ele se torna realmente um personagem da história.

Como nos outros livros da série, O Hospital Hostil traz muitas referências culturais e pessoais do próprio autor. A começar pelos nomes dos pacientes citados durante o livro: Emma Bovary, Jonah Mapple, Cynthia Vane, todos personagens de livros clássicos da literatura mundial. Clarissa Dalloway, por exemplo, além de referenciar o livro Mrs. Dalloway, ainda presta homenagem à autora Virgínia Woolf, sendo colocada como uma mulher que sofre de uma misteriosa doença que a deixa extremamente triste. Também são utilizados nomes de pessoas ligadas à produção do livro, como o ilustrador, através de anagramas.

O Hospital Hostil acabou se tornando meu novo livro favorito da série, principalmente por acrescentar coisas novas à história. Diferente dos primeiros livros, onde tudo só girava em torno de desgraças acontecendo na vida dos órfãos, agora muitos mistérios começam a ser resolvidos, outros são acrescentados, e começamos a enxergar um encaminhar mais conciso da história. Achei incrível saber mais sobre o passado dos pais e esses pequenos detalhes reavivaram em mim a vontade de continuar a leitura dos livros da série.

Infos:
Título original: A Series of Unfortunate Events - The Hostile Hospital
Autor: SNICKET, Lemony
Editora: Seguinte
ISBN: 9788535919721
226 páginas


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