26 de abril de 2016

[Resenha] Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick

Eu sei que você só quer que tudo acabe, que não consegue ver nada de bom em seu futuro, que o mundo parece escuro e terrível, e talvez você tenha razão, o mundo pode ser, definitivamente, um lugar apavorante. Eu sei que você mal está suportando. Mas, por favor, aguente mais um pouco.

É aniversário de 18 anos de Leonard Peacock. Em sua mochila, o garoto leva 3 presentes embrulhados em papel cor-de-rosa e uma pistola P-38 nazista, herdada de seu avô. Hoje, Leonard vai matar seu melhor amigo e, logo depois, se suicidar. 

Não é difícil entender por quê Leonard tem tanta raiva da sua vida: sua mãe foi morar em Nova York e o deixou para trás, sozinho, tendo como companhia apenas seu vizinho idoso viciado em filmes antigos. Na escola, ele é tido como uma das pessoas mais esquisitas e até mesmo seu (ex) melhor amigo pratica bullying com ele. O único que parece lhe entender é Herr Silverman, seu professor de história e, mais especificamente, sobre o Holocausto nazista.

Silverman percebeu, em algum momento, que Leonard precisava de ajuda e com isso lhe propôs um desafio: escrever cartas do futuro. São como cartas de pessoas que Leonard ainda irá conhecer no futuro, lhe contando como a vida é, quem elas são e dando vários motivos para que ele continuasse firme e buscando o futuro.

O livro é dividido entre diversos capítulos do presente - com cada passo de Leonard num período de 24 horas, cada nova página do seu plano de suicídio/homicídio - e outros pequenos capítulos com as cartas do futuro dele, enviadas por sua futura família. No começo essa alternância cria uma certa confusão, que acaba sendo solucionada com a explicações sobre o quê seriam essas cartas mais adiante.



A construção dos personagens de Leonard e Herr Silverman é incrível: a cada nova página, a cada novo capítulo, o autor nos entrega um pouco dos motivos pelos quais o protagonista é tão perturbado. Não são só suas peculiaridades (como o fato de, esporadicamente, vestir um terno e se fingir de adulto ou então seguir pessoas infelizes que encontra no metrô), mas Matthew Quick nos mostra como cada pequeno detalhe da vida do garoto o tornou um adolescente que tem a coragem de sair de casa com uma pistola com o objetivo de matar o seu melhor amigo.

O professor também se mostra um personagem bastante importante para a construção da trama, principalmente por ser um dos únicos que realmente se move e faz algo por Leonard. Diversas vezes durante a história pessoas próximas a ele percebem que algo estranho e grave está prestes a acontecer, mas ninguém parece dar muita importância a isso. Todos seguem suas vidas como se Leonard não estivesse prestes a desabar diante de seus olhos. Silverman não assiste a isso de braços cruzados e realmente acaba se tornando peça chave para diversos acontecimentos do livro.

Preciso ressaltar que apesar de ter me apaixonado pelos personagens, a história em si não teve o mesmo efeito sobre mim. Com personagens tão incríveis e acontecimentos tão turbulentos, acredito que a trama merecia uma construção melhor. Muitos acontecimentos acabam meramente jogados ao leitor, deixando uma sensação de que algo não foi concluído. Já li muitos livros com finais inconclusivos (e defendo esse tipo de término), mas dessa vez sinto que o autor realmente não teve um cuidado em entregar um final com algum tipo de reflexão ou sentido. Me senti lendo o primeiro livro de uma série que ainda tem muitos acontecimentos reservados para os próximos livros.

Apesar disso, também acabei em contradição quando notei o quanto a narrativa se confunde com o próprio estado mental de Leonard - já que é o próprio protagonista que o narra. É bastante possível que o final inexplicado e os acontecimentos sem sentido sejam apenas um reflexo de como a mente de Leonard funciona e de como tudo está muito confuso não só para nós, mas para ele também. Refleti muito sobre esses dois pontos e, por fim, não consegui chegar a nenhuma conclusão plausível. Com isso, só consigo pensar que estava errada. Matthew Quick me entregou, sim, um final com uma reflexão. Ela só é diferente para cada pessoa que tem contato com o livro.

Infos:
Título original: Forgive me, Leonard Peacock
Autor: QUICK, Matthew
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580573954
223 páginas
Livro cedido para resenha pela editora
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