26 de agosto de 2015

[Resenha] Mosquitolândia - David Arnold

Sou uma coleção de esquisitices, um circo de neurônios e elétrons: meu coração é o dono do circo; minha alma, o trapezista, e o mundo, minha plateia. Parece estranho porque é estranho, e é estranho porque sou estranha.

Mim Malone não está nada bem.
Mary Iris Malone teve uma infância não muito bacana: durante todos os anos, seu pai tentava se convencer (e ao resto da família) de que a garota tinha problemas psicológicos. Uma simples brincadeira de supermercado, quando era criança, fingindo conversar com um caixa invisível, já despertava no pai a suspeita de que Mim seria "igual a sua tia Isabel". 

Por isso, Mim passou por alguns médicos em sua vida até encontrar um que aceitasse o diagnóstico que seu pai havia lhe dado. Desde então, o frasco de Abilitol é um dos companheiros da garota, que tem algumas peculiaridades, como uma epiglote deslocada que a faz vomitar sem avisos e um olho que não enxerga.

Com a separação dos pais, Mim foi morar em outro estado com a nova família, deixando sua mãe e sua velha vida para trás. A garota nunca entendeu o porquê não poderia morar com a mãe, mas aceitou a decisão, embora a convivência com a madrasta não fosse das melhores. Com o tempo, as cartas que recebia foram ficando cada vez mais escassas, e as ligações telefônicas deixaram de ser respondidas.

Um dia, Mim acaba ouvindo sua madrasta dizer que sua mãe está doente. Com isso em mente e após receber as NOTÍCIAS BOMBÁSTICAS, ela não perde tempo. Junta a lata de café cheia de dinheiro da madrasta, seu diário-carta e sua maquiagem de guerra e resolve que é hora de desvendar alguns mistérios. E assim começa a viagem de Mary Iris Malone em busca de respostas.

Durante o caminho, muitas figuras peculiares se adentram em sua história e deixam, de alguma forma, sua marca. Mas nenhuma marca é tão profunda quanto a de Walt e Beck. O garoto ingênuo, com síndrome de down e sozinho no mundo e a coisa mais bonita que o olho bom de Mim já viu seguem viagem com ela, compartilhando suas histórias e participando da que a protagonista passa a viver.

É impossível não se apaixonar pelos personagens - principalmente por Walt - e se envolver cada vez mais na trama e nos pensamentos de Mim Malone. Muitas coisas são desvendadas aos poucos, e isso gerou uma expectativa pra continuar lendo o livro e querer saber cada detalhe da vida dela. Isso foi um ponto negativo pra algumas pessoas, que criaram uma expectativa muito grande e se decepcionaram com o desenrolar da história.

Ao contrário dessas pessoas, achei tudo que aconteceu bastante pertinente e no ponto ideal. Não se trata de uma trama de trhiller ou suspense, mas sim uma road-trip de uma garota de 16 anos. Coisas incríveis já acontecem durante toda a história, e esperar algo muito diferente da vida real é se auto-sabotar. 

Senti cada dor da personagem, cada aflição. Chorei junto com Mary Iris Malone e sorri com Walt. Quis fazer parte daquele trio de amigos, fazer minha maquiagem de guerra e enfrentar o mundo também. E isso, pra mim, vale mais do que qualquer final fantástico ou inacreditável. Prezo pelos pequenos detalhes, e o livro está cheio deles.

Não preciso dizer que se tornou um dos meus livros favoritos da vida, né?! Quando terminei (e após os 20 minutos que passei chorando tentando absorver a história) quis imediatamente recomeçar o livro. Deixo aqui mais que uma indicação, deixo um pedido: leia Mosquitolândia.

Infos:
Título Original: Mosquitoland
Autor: ARNOLD, David
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580577792
352 páginas

Livro cedido para resenha pela editora.
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