31 de agosto de 2015

[Booktubers contra o bullying] minha história com bullying

Oi pessoal! Esse post faz parte do projeto booktubers contra o bullying, que aconteceu durante todo o mês de agosto. Hoje às 21h acontece um hangout onde todos os canais e blogs participantes irão dividir suas experiências. Como não vou poder participar por conta da faculdade, trouxe esse texto hoje pra vocês!




Infelizmente não posso dizer que escapei de sofrer bullying. Fui, sim, vítima dele por muitos anos e trago até hoje marcas dessa experiência traumática. O bullying, normalmente, não chega pra aquelas pessoas que de alguma forma se encaixam em padrões sociais, e sim pra quem, de alguma forma, tem algo diferente. No meu caso, eu simplesmente não via motivo pra ser como a maioria das garotas eram quando eu tinha 12 anos: usar quilos de maquiagem logo pela manhã, ser delicada e quieta. Eu sempre falei muito alto, sempre fui muito agitada e, naquela época, pouco me importava com minha aparência. Gostava mesmo era de usar roupas confortáveis e que eu achasse bacanas. E isso incluía boné, que naquela época era um ítem estritamente masculino.

Não foram poucas as vezes que vi minhas colegas terem paquerinhas na escola e serem correspondidas, enquanto eu tinha que ouvir que era "machinho" demais pra alguém gostar de mim. Já ouvi também que eu era ridícula e nunca seria correspondida por ninguém. Isso abriu certas feridas que até hoje doem e colocam em jogo toda a minha auto-estima. Claro que se tratava de uma "brincadeira" de crianças, e quem me disse isso nunca imaginaria o impacto que isso causaria na minha vida. Mas é só me interessar por alguém que o medo vem: será mesmo que eu sou aquilo que me disseram há mais de 10 anos atrás?

Isso me fez tomar decisões que revolucionaram parte da minha pré-adolescência. Eu não gostava de nada daquilo, mas como seria aceita? Passei a me vestir como aquelas garotas, a usar maquiagem, a ouvir músicas que não gostava e a ter um grupo de amigas que em nada eram parecidas comigo. Por um tempo aquilo foi suficiente, mas o peso de mudar de sala e ficar completamente sem amigos chegou, e não consegui sustentar aquela imagem por muito tempo. Voltei a ser quem eu era, e isso não agradou às pessoas.

Parece que o simples fato de mostrar pro mundo quem você é, já é capaz de gerar desconforto em algumas pessoas. Pintei meu cabelo das cores que quis, usei as roupas que achava bonitas - coloridas, chamativas -, e tive que lidar com pessoas "gentilmente avisando" que o carnaval já tinha passado pra eu me vestir daquela forma, ou fazendo rodinha em volta de mim no intervalo pra apontar pro meu cabelo e dizer que eu usava remédio de cachorro pra deixa-lo roxo.

Nessa época eu já me sentia mais forte. Muitas vezes chorei, me isolei, mas nunca mais deixei de ser quem eu sou. Nunca mais mudei a cor do meu cabelo porque alguém achou feio ou troquei minha roupa antes de sair de casa porque alguém poderia rir de mim. 

Mais tarde, as pessoas resolveram que me zuar pelas coisas que eu gostava não resolvia mais. Partiram pra aspectos físicos - meu nariz é muito grande, meu cabelo tem cor de água de salsicha, minha voz é alta e irritante. Coisas que não posso mudar, e não mudaria se pudesse, porque fazem parte de quem eu sou.

Muito do que relatei aconteceu quando eu frequentava o ensino fundamental, mas não posso dizer que isso mudou na faculdade. As pessoas não sabem lidar com o diferente - e nem precisa ser o diferente dos padrões, pode ser apenas algo que é diferente do que elas vivem. E pronto: a incapacidade daquela pessoa de lidar com alguma coisa, acaba afetando a vida toda da outra.

Durante todo o projeto conversamos sobre livros que mostravam esse tipo de impacto que o bullying tem na vida de quem sofre. Desde a insegurança a se relacionar com o outro, até casos de suicídio (como no livro A Playlist de Hayden, que resenhei no canal) e tiroteios em escolas como forma de se vingar.

Hoje em dia posso dizer que convivo bem com o bullying que sofri e com o que eventualmente sofro. Tenho amigos que não se importam com que cor é o meu cabelo, o tamanho do meu nariz ou as roupas que eu visto, e na verdade é isso que importa. Vivo coisas incríveis e não tenho mais tempo nem pra rebater às críticas. Acho que no fundo as pessoas jogam pro outro as suas próprias inseguranças.

Espero que o projeto tenha ajudado uma pessoa que seja a perceber que sofrer bullying não é o fim, e também tenha tocado em algum ponto aquela pessoa que o pratica e não consegue perceber o quanto aquilo pode mudar na vida de alguém. Espero que, de alguma forma, esse projeto tenha cumprido seu papel!

Não esqueçam de participar do hangout, hoje, às 21h e compartilhar sua história e ouvir a de outras pessoas que passaram por coisas parecidas. Obrigada a todos que fizeram esse projeto acontecer!


0 comentários :

Postar um comentário

Obrigada pela visita e comentário!
Comentários com mera intenção de spam ou divulgação serão ignorados.

Todas as visitas são retribuídas (muitas vezes retribuo seguindo o blog em questão, para assim poder comentar uma publicação que seja interessante e acrescentar ao invés de só retribuir).

Beijos ^-^