31 de julho de 2015

[Resenha] Desventuras em Série, vol. 6: O Elevador Ersatz - Lemony Snicket

Violet, Klaus e Sunny, sentados no táxi, olhavam pesarosos pela janela e desejavam com toda a força poder retornar aos tempos em que suas vidas eram alegres e despreocupadas.

O Elevador Ersatz é o sexto volume de Desventuras em Série. Para ler as resenhas dos primeiros volumes, clique aqui.

No sexto livro da série acompanhamos os irmãos Baudelaire em mais uma mudança: dessa vez, seus tutores serão velhos amigos de seus pais, Esmé e Jerome, em uma região da cidade próxima a onde costumava ser a casa dos irmãos, que foi destruída pelo incêndio que matou seus pais.

Esmé e Jerome moram em um prédio com muitos, muitos, muitos andares. Tantos que ninguém nunca conseguiu contabilizá-los. Pra piorar, o casal mora no último andar, na cobertura, e os elevadores foram desativados por serem out.

Essa é outra mania esquisita do casal, só utilizar roupar, objetos ou gestos e ações que sejam in. Adotar órfãos é ser in. Utilizar elevadores é out. Por isso, sempre que necessário, os Baudelaire levam quase que o dia todo para subir ou descer as escadas do prédio, mesmo com elevadores que, em teoria, estão inutilizáveis.

Tudo parece correr muito bem, mas estamos falando de Sunny, Klaus e Violet e isso quer dizer que muita coisa ruim ainda vem pela frente. A começar por mais um disfarce de Conde Olaf, que mesmo com uma única aparição já desperta o pânico nos irmãos, que fazem de tudo para convencer seus tutores e o próprio sr. Poe, mas como sempre, não são levados a sério.

Além disso, fica no ar o mistério de onde estão os trigêmeos Quagmire - raptados pelo Conde Olaf no colégio interno -, e que guardam o maior segredo de Conde Olaf: o que significaria a sigla C.S.C, na qual os trigêmeos não conseguiram contar aos Baudelaire antes do rapto?

De todas as histórias da coleção até agora, essa foi uma das minhas favoritas. É mais comprida, mais bem elaborada, mas ainda tem certos probleminhas. Nesse livro cheguei a sentir raiva dos Baudelaire, que tiveram diversas oportunidades de descobrir qual era o tal segredo do C.S.C e simplesmente não perguntavam. Tudo o que precisavam fazer era isso: perguntar. E eles não o faziam. Isso me deixou bem irritada lá pro final do livro, mas não tirou minha vontade de continuar a série (ainda rs).

Também já começou a me irritar a forma como nenhum adulto acredita nos irmãos em todas as vezes que o Conde Olaf aparece com um disfarce diferente. Se o cara foi capaz até de fingir ter uma perna cortada, se infiltrar em um colégio interno, e até cometer assassinatos, como podem duvidar das crianças todas as vezes e no fim das contas sempre estarem errados?

Entendo que se trata de um livro pra crianças e até pré-adolescentes, mas existem mil e uma maneiras mais criativas de conduzir a história do que criando essa imagem de que adultos não acreditam em crianças e coisas desse tipo. Espero que nos próximos volumes isso seja alterado, porque já começou a ficar cansativo sempre o mesmo molde de história: as crianças mudam de tutor, passam perrengues, o Conde Olaf aparece num disfarce, as crianças denunciam, ninguém acredita mas no final conseguem provar que estavam certos. Não dá pra criar 13 livros com o mesmo molde, né?

Apesar desses probleminhas, ainda estou empolgada pra continuar a série, e sigo recomendando por se tratar de livros fáceis e leves, desses para serem lidos em um ou dois dias. 

Infos:
Título Original: A Series of Unfortunate Events - The Ersatz Elevator
Autor: SNICKET, Lemony
Editora: Seguinte
ISBN: 8535903208
230 páginas
Para comprar: Submarino | Americanas
(comprando através dos links do blog, a blogueira que vos fala ganha um dinheirinho pra investir em mais resenhas pra cá) 

27 de julho de 2015

Projeto jornalista: terceiro semestre

Oi! Esse é mais um post da série Projeto Jornalista. Pra ver os outros é só clicar aqui.

O terceiro semestre da faculdade foi, de longe, o mais estressante até agora (embora já tenham me adiantado que o quinto e sexto são os piores). Nesse semestre, tive aulas de economia, filosofia, semiótica, radiojornalismo A, telejornalismo A, antropologia cultural e jornalismo comunitário. Eram, sim, muitas disciplinas, mas a maioria delas não era diretamente ligada ao jornalismo.

(uma expressão que resume o semestre)

Tive mais dificuldade em semiótica e economia. A primeira por ser muito teórica e com muitos textos pra ler e conceitos pra decorar (sem contar que foram as provas mais difíceis do semestre, mas com certeza a matéria mais legal). Em economia minha dificuldade foram os termos mais técnicos e os artigos semanais que tinham que ser entregues, mas num geral consegui contornar essas dificuldades.


As matérias práticas foram as com maior aprendizado. Tanto telejornalismo, como radiojornalismo, eram matérias práticas e que nos colocavam totalmente na pele do jornalista\repórter. Pra telejornalismo produzimos dois telejornais, com reportagens produzidas em duplas. Na primeira edição minha pauta caiu de última hora e não consegui concluir (mas acabei compensando apresentando um quadro cultural) e na segunda edição produzimos uma reportagem sobre violência obstétrica e parto humanizado, e foi uma experiência incrível! Além disso, deixei o medo de lado e fiz meu primeiro link ao vivo no telejornal. Você conferir os dois telejornais que produzimos aqui e aqui.
(por favor: eu na tv!!!!!)

Radio sempre foi uma disciplina complicada pra mim, já que odeio minha voz e ela é um tanto quanto... infantil. Mas nesse último semestre aprendi a gostar! Também produzimos um radiojornal que foi muito elogiado pelo professor, e o grupo todo atingiu a nota máxima.

Enfim, essas duas disciplinas reacenderam não só em mim como em muitos colegas de sala o amor pelo que iremos fazer daqui pra frente. Esse semestre foi muito puxado e muito estressante pra todo mundo, mas ver o resultado de todo o esforço valeu a pena - e não, não é mais um clichê. Em uma das últimas aulas de telejornalismo estávamos dividindo nossas experiências produzindo nossas reportagens e no fim acabamos todos com os olhos cheios de lágrimas, inclusive a professora! Senti muito orgulho dos trabalhos que desenvolvi esse semestre.

Além das aulas a noite, fui monitora da disciplina de Introdução ao Jornalismo Impresso no período da manhã, e foi mais uma experiência que me fez aprender e crescer muito! Concluí essa disciplina no meu primeiro semestre do curso e optei pela monitoria pois é a área que mais me identifico. Mesmo estando lá todos os dias pra auxiliar os alunos, acabei aprendendo muito coisa nova e percebendo que o jornalismo é uma área em constante movimento e que sempre terei mais coisas a aprender sobre ela, sempre. A monitoria foi muito, muito boa pra minha formação, e aconselho a todos que se aventurem como monitores pelo menos uma vez durante a graduação.

(o glamour de ser a produtora, só que não)

Ah! Eu também tive a oportunidade de participar de um ciclo de palestras muito bacana, que faz parte do Prêmio de Jornalismo de Agronegócio organizado pela ABAG-RP. Foram 3 dias em diversas cidades visitando industrias ligadas ao agronegócio brasileiro, centros de pesquisa como a Esalq-USP e também diversas palestras sobre o assunto, com alunos de outras universidades e com profissionais da área. Tudo isso tinha como objetivo o aprendizado para, posteriormente, conseguirmos produzir nossa reportagem para concorrer ao prêmio. Eu tinha em mente o tema e inclusive as fontes, mas como isso aconteceu no finalzinho do semestre e precisávamos da orientação de um professor para produzir essa reportagem, acabou não dando tempo de enviar para participar. Mas a experiência já valeu a pena e com certeza voltarei nos próximos anos!

(participantes do ciclo de palestras)

Pro próximo semestre já pressinto o desafio. Muitas disciplinas novas e práticas, minha primeira atividade autônoma do curso, e uma coisa que tenho em mente desde que ingressei no curso: vou começar meu projeto de iniciação científica! O tema é bem próximo do que quero seguir (jornalismo online) e sei que será bastante puxado, mas muito recompensador. Além disso tudo, desde o começo do ano participo do grupo de dança da minha faculdade, que foi uma oportunidade incrível de voltar a dançar e fazer exercícios e ainda ganhar uma graninha. Ou seja: como vou conciliar tudo isso? É uma ótima pergunta e que eu só saberei a resposta daqui 6 meses.

24 de julho de 2015

Bate-papo com Tati Feltrin no Sesc Campinas


Na última sexta-feira, dia 17, aconteceu um bate-papo super bacana no Sesc Campinas com a booktuber Tati Feltrin. Quem já acompanha meu canal sabe que já citei ela diversas vezes por lá, principalmente por ter sido a primeira booktuber que acompanhei e quem me motivou a levar o conteúdo do blog pro youtube também.

O bate-papo era, inicialmente, pra tratar da divulgação de livros através da internet em blogs e canais, mas o papo foi tão bom que chegamos até a indicações de livros. A Tati dividiu com a gente toda a sua experiência nesses 8 anos de youtube: como ela começou, como era o cenário dos booktubers na época - o termo nem existia, e no Brasil, quase ninguém falava sobre livros no youtube -, e como foi sua evolução até chegar a uma das maiores booktubers do país.

Na mesma semana eu tinha soltado um aviso na fanpage do blog dizendo que talvez não fizesse mais vídeos pro canal. E esse bate-papo caiu como uma luva pra mim! Meu maior problema sempre foi a questão de equipamentos: gravo meus vídeos com o celular. A qualidade da imagem não é tão ruim, mas o áudio é baixo e nos primeiros vídeos eu ainda não sabia como contornar isso. Porém, de uns tempos pra cá, meu celular resolveu que não tinha mais armazenamento suficiente pra gravar vídeos, mesmo eu tirando tudo que tinha nele. Isso me desanimou muito, principalmente porque não vou conseguir comprar um bom equipamento tão já. 

A conversa com a Tati me ajudou nesse sentido. Pra quem não sabe, ela passou muitos anos gravando seus vídeos com uma câmera compacta, sem grandes produções no que diz respeito à edição e outros aspectos como ter uma iluminação artificial ou um microfone externo. E mesmo assim, o canal deu certo, principalmente porque o conteúdo era (e é!) muito bom. Isso me fez abrir os olhos pra como o meu canal não é um programa de TV (e nem tem o mesmo orçamento que tal) pra que eu precise de grandes produções. Meu canal é só mais um no youtube que fala sobre livros e cultura, e prefiro focar em oferecer cada vez mais um conteúdo de qualidade para as poucas pessoas que assistem do que em torná-lo uma grande produção.

No fim da conversa ela ainda atendeu a todos que estavam lá - mesmo com o tempo curto, já que o Sesc estava fechando - e foi um amor com todos! De verdade, quando passamos muito tempo assistindo alguém pela internet achamos que conhecemos o jeito da pessoa. Confesso que sinto muito medo disso, porque a chance de decepção é bem grande. Mas, mais uma vez, tive minhas expectativas superadas! A Tati foi muito querida com todos que estavam lá, quis conhecer o canal ou blog de todo mundo e posso dizer que minha admiração só cresceu.

Espero que todos tenham essa oportunidade um dia - de não só conhecer a Tati, mas de conhecer pessoas que lhe inspirem a fazer um trabalho melhor, a não desistir mesmo quando o resto do mundo te diz que você precisa desistir. Foi mais uma das experiências incríveis que o blog me proporcionou! :)

(vídeo que a Tati fez falando um pouco do bate papo!)

20 de julho de 2015

[Resenha] Quem é você, Alasca? - John Green (edição comemorativa de 10 anos)

Se as pessoas fossem chuva, eu seria uma garoa e ela, um furacão

Escrever essa resenha sem muitos feels vai ser bastante difícil pra mim. Quem é você, Alasca? foi a primeira obra do John Green que tive contato, e posso dizer que foi amor à primeira lida. Desde então entrou pra minha lista de livros favoritos da vida, deu um lugarzinho pro John no meu coração e uma de suas passagens tatuada na minha pele. Essa edição comemorativa de 10 anos me fez relembrar o porquê de tudo isso.

Miles Halter é um garoto de 16 anos com uma mania um pouco peculiar: ele coleciona últimas palavras. Vasculhando nas biografias da biblioteca de seu pai, Miles se depara com as últimas palavras de François Rabelais. Saio em busca do Grande Talvez. A partir dessa descoberta, o garoto resolve que também chegou a hora de buscar o seu Grande Talvez, e opta por estudar no mesmo colégio interno onde seu pai passou a adolescência, o Culver Creek.

Chegando por lá logo percebe que a vidinha pacata e sem amigos que levava em sua cidade natal realmente ficou no passado. Seu colega de quarto, Chip Martin, logo lhe deixa a par de tudo que acontece em Creek: escapadas no meio da noite, trotes, bebedeiras e cigarros. E Alasca.

Alasca Young é certamente a criatura mais incrível que já habitou Culver Creek, e Miles se dá conta disso logo no primeiro contato que tem com ela. Dona de incríveis olhos verdes, personalidade forte e uma biblioteca que é sua maior paixão, Alasca se torna a personificação do Grande Talvez. Junto com ela, Miles também descobre novas-últimas-palavras, como as Simon Bolívar: como sairei desse labirinto?, que acaba de tornando mais um dos muitos mistérios que envolvem esse livro.

O pano de fundo principal da história são os trotes que Miles, Chip, Alasca e seus amigos pregam nos Guerreiros de Segunda à Sexta, e vice-versa. Em um desses trotes, Alasca perde metade de sua biblioteca em um alagamento, e a partir de então os amigos iniciam um plano de vingança à altura.

Porém, pra mim o principal da história (e talvez pra maioria das pessoas que leram esse livro) não é essa relação de rivalidade entre eles e os garotos riquinhos e mimados do colégio, mas todas as outras perguntas e questionamentos e reflexões que o livro traz. O que é o Grande Talvez? O labirinto de sofrimento realmente tem uma saída? 

O livro é dividido em "antes" e "depois", mas o marco principal dessa história eu deixo para vocês descobrirem e se descabelarem sozinhos. Muita gente já me xingou por esse spoiler! A questão é: estejam preparados. Pra mim, Alasca doeu mais que A Culpa é das Estrelas.

Agora, falando um pouco mais sobre essa edição especial de 10 anos, eu estou completamente apaixonada por ela! O livro já começa com uma apresentação escrita pelo autor, contando como foi o processo de escrita desse livro e o porquê dele ser tão importante não só pra sua carreira, mas também pra sua vida (confesso que o chororô já começou por aí).

Os extras também são incríveis - diversas cenas cortadas, exemplos de como as cenas eram no manuscrito original e de como se transformaram durante as revisões que deram origem ao texto da forma como o conhecemos; uma explicação sobre o formato de "antes" e "depois" do livro e como todo esse trabalho foi feito e também diversas páginas em que John Green responde perguntas que sempre quisemos saber sobre Alasca e também sua carreira. 

Tô realmente apaixonada por essa edição, que só fez meu amor pelo livro e pelo autor aumentarem ainda mais! Minha unica ressalva - que não é tão importante assim e eu já explico o porquê - foi com relação à tradução.

Li o livro em 2012, quando quem ainda o publicava era a editora Martins Fontes. No primeiro contato que tive, Miles tinha o apelido de Gordo, dentre outras coisinhas diferentes. No último ano, os direitos de publicação de Alasca foram obtidos pela Intrínseca, que já publicava os outros livros do autor no Brasil. Eu, particularmente, gostei muito, já que sou grande fã do trabalho que a editora fez com os outros livros do autor e com tantos outros.

Porém, assim como grande parte dos leitores mais antigos, estranhei um pouco a tradução, que mudou o apelido de Miles para Bujão. Isso não é exatamente um problema - nem pra mim, e principalmente pra quem tá conhecendo a obra agora -, mas sim, rola um estranhamento. Ainda estou me acostumando, embora no meu coração o Miles seja eternamente o Gordo <3

Por fim, esse é um livro que nunca vou cansar de indicar. Ele realmente mudou muita coisa na forma como penso e vejo o mundo, e acredito que seja uma leitura obrigatória na vida de qualquer pessoa. Leia Alasca, mas leia sem a mochilinha do preconceito. Leia e tire dele todas as lições que ele tem pra te ensinar. Além de uma história de amor e amizade, é uma história sobre como lidar com a dor, com a perda e com a culpa.

Infos:
Título Original: Looking for Alaska
Autor: GREEN, John
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580576832
336 páginas

Livro cedido para resenha pela editora.
Para comprar: Submarino | Americanas 

13 de julho de 2015

[Projeto] Booktubers contra o bullying!


Oi gente, tudo certo?
Durante o mês de agosto, eu e mais 9 booktubers estaremos promovendo um projeto de combate ao bullying, o booktubers contra o bullying!

Infelizmente o bullying ainda é tratado com descaso pela sociedade. Apelidos, brincadeiras de mau gosto e até mesmo agressão física são só alguns dos exemplos de como o bullying está cada vez mais presente na vida de diversas crianças e adolescentes, e pode ter consequências gravíssimas.

Por isso, durante o mês de agosto nós resenharemos diversos livros que tratam sobre o assunto e as suas consequências. Além disso, no dia 30 de agosto faremos um hangout para dividirmos nossas experiências e conselhos. 

Segue abaixo nossa programação:

1) INÍCIO DO PROJETO: 
02/08/2015 (domingo)

2) ORGANIZAÇÃO e respectivas datas de postagem de vídeos:
02/08 - Ânsia na fala (Livro: Extraordinário)
06/08 - Marcando uma página (Livros: Trilogia Feios)
09/08 - Leitor de todo dia (Livro: Por Que Indiana, João?)
11/08 - Nerds Leitores (Livro: Feia)
13/08 - Borogodó Literário (Livro: A Lista Negra)
16/08 - Tentando ser Nerd (*Livros com tema Bullying)
18/08 - Always find your way back home (Livro: Os 13 Porquês)
20/08 - Poesia Destilada (Livro: A Playlist de Hayden)
23/08 - Estante de garotos (Livro: Dois garotos se beijando)
24/08 - Soh lendo (Livro: Os 13 Porquês [divulgação no Blog + convite para o hangout])

3) HANGOUT OFICIAL: 30/08

Também haverão diversos sorteios e a participação de outros booktubers para dividir conosco suas experiências!

É importante que bastante gente participe, da forma que achar melhor: divulgando o projeto, compartilhando resenhas de livros sobre o tema ou acompanhando o hangout. Afinal de contas: somos nós, os livros e vocês contra o bullying!

Canais participantes:
Nerds Leitores - https://goo.gl/22qqZ1
Always Find Your Way Back Home - https://goo.gl/ugJCTE
Borogodó Literário - https://goo.gl/EdDR3I
Ânsia na Fala - https://goo.gl/k1VIMQ
Tentando Ser Nerd - https://goo.gl/BkxPDS
Soh Lendo - https://goo.gl/9CE4A2
Leitor de Todo Dia - https://goo.gl/CUlhi5
Marcando Uma Página - https://goo.gl/vBQt9u
Estante de Garotos - https://goo.gl/wXmGHW
Apoio:
Giz Editorial
Editora Intrínseca

(teaser do projeto) 

12 de julho de 2015

John Green no Brasil ou "um dos dias mais felizes da vida"


Eu não poderia começar mais um textão sobre John Green com outra foto que não fosse essa. Hoje, uma semana depois, talvez eu consiga escrever sem chorar.

Já escrevi aqui um pouco sobre a importância do John na minha vida - embora eu talvez nunca consiga coloca em palavras tudo que os livros dele fizeram por mim. Mas hoje eu vou escrever sobre o momento em que eu tive certeza de que nenhuma daquelas palavras estavam equivocadas.

É esquisito demais quando a gente conhece alguém que admira demais e essa pessoa é completamente diferente do que a gente imaginou. Como o próprio autor escreveu em Cidades de Papel: "que coisa mais traiçoeira é acreditar que uma pessoa é mais do que uma pessoa". John repetiu isso diversas vezes durante a coletiva e as entrevistas que deu, o perigo que é imaginar uma pessoa como um milagre, ou como algo mais espetacular e incrível do que uma pessoa. Mas, me diz, como não idealizar uma pessoa quando ela é melhor do que você imaginou?

O primeiro momento em que vi o John nesses 4 dias em que estive no Rio foi durante a photocall, que por uma obra do destino eu consegui participar, já que só era aberta a fotógrafos e TV. Ele chegou junto com o Nat Wolff, e estava filmando. Todo fofo, ele disse pros fotógrafos: "sei que vocês estão aqui pra me fotografar, mas vou filmar vocês antes".

Nesse momento eu já estava aos prantos. Era meio difícil acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo: que uma pessoa que eu admirava e via somente pelo youtube estava há alguns metros de mim. Não quero imaginar onde aquele vídeo que ele gravava vai parar, porque eu provavelmente estou nele e chorando muito haha.

Lá de cima da sacada do Copacabana Palace, era possível ouvir os gritos de quem estava lá embaixo. E o John não os ignorou. Alguns segundos depois, pediu licença aos fotógrafos e trocou algumas palavrinhas com quem o esperava, dizendo que faria de tudo para atendê-los. E não estava mentindo.

Agora vem mais uma parte fangirling desse relato: resolvi fazer o nerdfighter gang sign pra ele, só pra ele saber mesmo que, sim, existiam nerdfighters ali. E ele simplesmente fez de volta pra mim. Eu não sei de mais nada depois disso porque eu simplesmente não consegui me concentrar.

Durante a coletiva, tanto John quanto Nat foram incríveis e fofinhos, e diversos assuntos foram colocados em questão. Até mesmo a história de como John e sua mulher Sarah se apaixonaram acabou sendo contada. Ambos se despediram com ''obrigado'' e antes de ir embora John ainda tentou autografar alguns livros.

Depois disso, ainda ficamos alguns minutos pelo Copacabana Palace e decidimos ir à premiere a noite, já que o John atenderia aos fãs por lá. Mas antes disso, uma surpresa: eu, Paty e Brenda fomos convidadas a gravar um trechinho pro Kinoplex! O resultado vocês podem ver aqui.

Cheguei ao Cine Odeon por volta das 16h30, e alguns fãs já estavam lá, dentre eles os nerdfighters maravilhosos que conheci através do grupo no facebook. É muito surreal ver como os fãs de uma pessoa refletem exatamente os pensamentos e ensinamentos de seus ídolos - nenhum deles se esqueceu de ser incrível em momento algum, e foram de longe umas das pessoas mais legais que conheci no Rio. Por incrível que pareça, encontrei lá a Karol, que é do Rio mas tem uma amiga em comum comigo que é aqui da minha cidade e que, assim como eu, a inspirou a ler John Green <3

O tempo passava e a ansiedade só aumentava. Foram cerca de 4h na grade, esperando que o John aparecesse, e quando ele finalmente chegou e começou a atender os fãs, não parou enquanto todos os livros fossem autografados - sim, todos! John dividia seu tempo entre atender à imprensa e aos fãs, autografando livros e tirando fotos, conversando mesmo que rapidinho. Em um determinado momento alguns poucos pingos de chuva começaram a cair, e mesmo assim ele continuou lá, 
assinando livros e aquecendo muitos corações como o meu.

Nesse dia, uma coisa incrível aconteceu. A intenção ao ir pra premiere era unicamente conseguir meu autógrafo e voltar pro hostel, já que os ingressos pra premiere só eram conseguidos através de promoções (ou contatos rs). Porém, acho que uma maré de sorte esteve ao meu lado naqueles dias incríveis, e uma pessoa igualmente incrível me cedeu um ingresso. Não quero citar nomes, mas gostaria de deixar aqui o agradecimento. Assisti ao filme novamente e ainda tive a oportunidade de ver o John mais uma vez (dessa vez, dizendo que amava o Brasil).

No dia seguinte eu já estava exausta, havia dormido muito pouco todos os dias e ainda aguentaria 8h de viagem de volta pra minha cidade. Mas eu ainda não havia conseguido o que mais importava pra mim - a chance de conseguir agradecer pessoalmente por tudo que suas palavras tinham feito na minha vida. E mais uma vez, sem nenhuma certeza de que conseguiria, fui pra porta do Copacabana Palace às 8h da manhã, acompanhada de meninas incríveis que compartilhavam do mesmo amor que eu.

Por volta das 15h aconteceu. De volta ao hotel depois das gravações na Globo, o John simplesmente desceu do carro com uma caneta na mão e atendeu a todos que estavam na porta do hotel. 

Essa lembrança ainda é meio conturbada na minha cabeça porque é dificil identificar tudo que senti naquele momento. Sei que qualquer pessoa que não entenda o que é ter um ídolo pode achar tudo que escrevi até aqui o maior exagero do planeta, mas quem entende sabe. Quem entende conhece a sensação de não acreditar que aquela pessoa é real, o frio na barriga, a tremedeira nas pernas. 

O John foi uma pessoa maravilhosa com todo mundo. Consegui agradecer, consegui mostrar pra ele minha tatuagem de Looking for Alaska, e chorei, e fui acalmada por ele, e a todo momento eu só conseguia dizer e pensar ''não acredito". E até agora, a minha ficha não caiu, não só por ter conhecido a pessoa que escreveu as palavras que me salvaram, mas por todos os momentos maravilhosos que vivi no Rio de Janeiro, todas as pessoas incríveis que conheci, toda a oportunidade que eu tive. Não tenho como colocar em palavras toda a gratidão que senti por poder viver esses momentos. 

Acho que incrível foi a palavra que mais usei nesse texto, e talvez a única que possa resumir todos os momentos que vivi nesses dias, até os que pensei em desistir, até os que pensei que nada valeria a pena. E valeu! Tudo valeu, e eu faria tudo de novo com toda certeza do mundo. Nada paga o sentimento que até hoje eu trago no peito de me sentir infinita (e olha só, outro livro da minha vida dando nome ao que senti!).

Obrigada à editora Intrínseca, por ter me proporcionado a oportunidade de comparecer à coletiva de imprensa, que foi basicamente o que abriu espaço pra todas as outras oportunidades e experiências. Obrigada a todos que conheci no Rio de Janeiro, obrigada a cada pessoa que, nesses dias, tem vindo me parabenizar e me dizer que ficou feliz por mim e a todos que tornaram isso possível. Posso dizer que vivi (e vivo) um dos momentos mais felizes da vida :)







(vlog desses dias lindos!)

7 de julho de 2015

[Livro x filme] Cidades de Papel - John Green

Contém spoilers

Cidades de Papel foi um dos primeiros livros que resenhei no blog, e você pode ler a resenha aqui.


Na última semana, tive a oportunidade mais do que incrível de assistir ao filme Cidades de Papel em primeira mão, junto com outros blogueiros parceiros da Intrínseca. Até hoje eu não podia fazer nenhum post sobre o assunto, e olha: foi bem difícil não comentar!

A história do filme já é conhecida: Margo e Quentin foram amigos durante a infância, mas com o tempo foram se afastando. Em uma noite qualquer, Margo aparece na janela de Q convidando-o a participar de um plano de vingança com ela. No dia seguinte, Margo some, e Quentin passa a seguir diversas pistas para encontrá-la. Tudo isso com uma paixão platônica no peito e a ajuda dos amigos Ben e Radar.

A primeira coisa que você deve saber ao assistir esse filme: coisas serão mudadas. Não só nesse, como em toda adaptação cinematográfica. Existem coisas que funcionam nos livros mas não funcionam no cinema, e assim a vida funciona e segue. E sim, muitas coisas são mudadas.

No começo confesso que fiquei brava, mas conforme o filme foi se desenrolando e a história foi seguindo, percebi que as coisas que foram mudadas não só mantiveram a essência do livro, como também tornaram alguns pontos da proposta do livro mais claros na história.

A começar pelos atores: Nat Wolff tem basicamente a aparência de todos os personagens do John Green que eu criei na minha cabeça (ok, menos do Augustus). A diferença é que, for reasons unknown, em Cidades de Papel eu imaginava o Quentin usando óculos. Quando descobri que ele tinha sido escolhido para o papel eu tive certeza de que tinha sido a melhor escolha possível - e foi! Meio impossível não se apaixonar e querer um Quentin pra chamar de seu depois de assistir ao filme.

Muita gente me perguntou sobre a atuação da Cara como Margo, e vou repetir a resposta sincera que dei pra todos: foi ok. Não dá pra dizer que a atuação dela foi espetacular ou mesmo que foi péssima, pelo simples motivo de que a Margo é só uma coadjuvante nesse filme. Ela aparece nos, sei lá, primeiros 20 minutos e depois novamente só no final, durante uns 5. E em ambas as aparições, não há nada de muito espetacular a ser feito (e aqui já entra um pequeno spoiler sobre o reencontro de Q e Margo que, sim, foi alterado, mas é tudo que direi).

Quem realmente rouba a cena é o Ben, interpretado por Austin Abrams. No livro, achava as piadas dele meio sem noção e por vezes até um pouco machistas. Mas, meu Deus!!!! Era impossível não rir nas cenas em que ele aparecia. Ela só o Ben abrir a boca e o cinema ir abaixo em risadas. Foi realmente um destaque no filme, apesar da timidez do ator.

Num geral, gostei do filme, e achei que todas as mudanças foram muito bem adaptadas. Quando se compara filme e livro, obviamente, essas mudanças são bem perceptíveis. Por exemplo - o curto tempo que eles têm para encontrar Margo, no filme, tem relação com o horário em que a formatura será realizada. Ou seja, nenhum deles tem a pretensão de perder o baile, diferente do livro onde é durante a formatura que Q e os amigos saem em busca de Margo. Também achei esquisito o fato de, no trailer, existir uma cena em que o Quentin ganha a minivan dos pais, mas no filme essa cena simplesmente não existe. Não sei se isso é comum - inserir no trailer cenas que foram cortadas do filme -, mas aconteceu.

Também não consegui encontrar a pequena participação do John. Diz ele que nem a Sarah, sua esposa, conseguiu! Assisti duas vezes e em nenhuma encontrei. Dizem que está lá pro final.

Já analisando o filme isoladamente, tudo é muito bem conduzido, raramente deixando fios soltos. Podemos dizer que o filme não é uma adaptação do livro, e sim uma obra baseada em Cidades de Papel, mantendo e reforçando a essência principal da história, confirmada por John Green na coletiva de imprensa brasileira: a força da amizade e a desconstrução da ideia de imaginar pessoas como milagres e não, simplesmente, como pessoas.

Aliás, antes de concluir, gostaria de dizer: tem surpresa no filme! E uma surpresa que, em ambas as exibições que assisti, tirou suspiros da platéia. Deixo uma dica - do you like dragons? ;)

(trailer legendado)