20 de maio de 2015

[Resenha] Travessuras da Menina Má - Mario Vargas Llosa

Agora ela parecia muito melhor, quase uma mulher normal. Bem, no fundo eu sabia que nunca seria uma mulher normal. Nem queria que fosse, porque o que amava nela era também o indômito e imprevisível da sua personalidade.

Sempre tive curiosidade de conhecer alguma obra do Mario Vargas Llosa, mas não sabia por qual começar. Nesse ano a faculdade me deu essa oportunidade através da leitura obrigatória que fazemos em todo semestre.

A história começa na década de 50 no Peru, com Ricardo - o protagonista e narrador - ainda criança. Vivia em Miraflores, que apesar de ser uma pequena vila, era habitada pelos cidadãos com maior poder aquisitivo da cidade. No verão daquele ano 3 chilenitas apareceram em Miraflores balançando o coração de todos os rapazes - inclusive de Ricardo. 

Lily foi a escolhida. Durante toda sua estadia no Peru, a garota foi cortejada por Ricardito, que não media esforços para conquistar seu coração. Ela, por sua vez, até se aventurava nos braços do rapaz, mas nunca cedia aos seus pedidos de namoro e incontáveis declarações de amor.

Passados alguns anos e realizado seu maior sonho de morar em Paris, Ricardo reencontra Lily - agora, camarada Arlette. O pano de fundo da história de amor agora é a Paris revolucionária dos anos 60 e as guerrilhas formadas para lutar contra o possível golpe do general Juan Velasco no Peru, que acabou acontecendo mais tarde.

Nas semanas em que camarada Arlette viveu em Paris, ela e Ricardo viveram uma intensa história de amor, que precisou ser interrompida com a partia da moça de volta ao Peru.

A partir daí, o livro passeia por diversos contextos históricos e culturais: Londres na era das drogas e da cultura hippie do amor livre nos anos 70; Tóquio e os mafiosos da Yakuza; Madri em transição política nos anos 80... E em cada um desses lugares e épocas, lá está a menina má novamente, com um nome diferente, um marido diferente e uma nova história.

Os encontros, desencontros e reencontros do casal principal no livro chegam a ser surreais. Como tradutor, Ricardo viaja para diversos lugares do mundo, e em cada um deles, quase que por magia, lá está ela: a chilenita da infância, a camarada Arlette das noites ardentes de Paris, sempre com uma nova personagem.

Só uma coisa nunca muda: o amor incondicional de Ricardito. No começo o leitor até se sente cativado pelo sentimento, mas ao longo do livro e de todas as travessuras da menina má, é quase impossível não sentir raiva da personagem. É quase impossível não achar o protagonista burro. O sentimento que em alguns momentos é de pena, até o final do livro se transforma em raiva, em inconformidade.

A experiência de ler Vargas Llosa pela primeira vez não poderia ser melhor. Já repeti diversas vezes aqui, e sigo repetindo: só os melhores autores são capazes de despertar tantos sentimentos em um só livro, e a cada capítulo desse livro um sentimento novo aflorava em mim. É até difícil resenhar um livro que foi capaz de despertar tanta coisa.

Tudo o que consigo dizer é que mal vejo a hora de conhecer mais obras do autor.

Infos:
Título Original: Travesuras de la ñina mala
Editora: Alfaguara
ISBN: 8573028084
302 páginas
Para comprar: Submarino | Americanas
(comprando através dos links do blog, a blogueira que vos fala ganha um dinheirinho pra investir em mais resenhas pra cá) 

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