15 de maio de 2015

[Destilando Palavras #6] Untitled

Aqui estou eu, para me revelar.
Talvez não seja a hora certa, muito menos a maneira mais exata de se fazer isso, mas eu preciso sair dessa obscuridade na qual me encontro no momento.
Por muito tempo, morei cuidadosamente escondida no fundo do seu peito. Você – uma pessoa distraída que mal notara as horas se passando – nunca se deu conta de minha presença.
Então, eu resolvi me manifestar. Tal fiz, de modo em que berrei agudamente palavras fortes, nas quais você não ouvira. Chutei e esmurrei-a com tanta força, que poderia ter lhe quebrado uma costela, mas de nada adiantou. Estava entorpecida com o analgésico do amor. Poderoso remédio que tudo ameniza. Ameniza. Não cura.
Quando o efeito dessa anestesia acaba, é que se dá conta de minha existência. Porém, o que surgiu em você não foi nada parecido com as músicas nostalgicas nas quais eu me escoro e sim, a tristeza.
Realmente, seu coração é algo contraditório. Primeiro se faz refém do mais poderoso analgésico e, logo após, se tortura com a pior das dores existentes.
E é agora, que eu lhe apresento o meio termo.
Prazer, meu nome é saudade.

(Dezembro/2010)

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