1 de abril de 2015

[Resenha] Misery - Stephen King

Suor escorria ela sua testa e picava seus olhos. Ele lambeu o sal e as lágrimas dos olhos. Os tremores não passavam. A dor era como o fim do mundo. Ele pensou: Chega um ponto em que a própria discussão sobre a dor se torna redundante. Ninguém sabe que existe dor desse tamanho no mundo. Ninguém. É como estar possuído por demônios.

Desde que li meu primeiro thriller e me apaixonei pelo gênero, minha vontade de conhecer Stephen King só aumentava. Acontece que apesar de tudo eu ainda tinha um certo medo - sim, as pessoas me assustavam -, mas Misery me atraiu tanto que eu não podia deixar a vontade ir embora. Pedi emprestado, e não me arrependi!

Paul Sheldon é um escritor que se tornou famoso principalmente por uma série de livros onde conta a história da protagonista Misery. Após conquistar fama, fortuna e fãs, Sheldon decidiu que já bastava: deu fim à série de livros e "matou" Misery.

Retomando sua carreira como escritor, no momento em que termina de escrever seu último livro, Paul Sheldon sofre um acidente de carro durante uma nevasca, e nos próximos dias passa pelo período descrito como "nuvem". Ele não tem noção exata do que está aconteceu, onde está ou o que está sentindo.

Quando finalmente retoma sua consciência, Paul descobre que está sobre a tutela de Annie Wilkes. Annie é sua fã número um, como ela mesma gosta de se rotular, e o salvou do acidente. Desde então vem cuidado de seus ferimentos nas pernas e tratando de suas dores através de um analgésico fortíssimo.

Paul, obviamente, é muito grato por Annie ter lhe salvo a vida. Porém, aos poucos sua heroína vai mostrando partes de si que antes eram inimagináveis e deixa à mostra sua verdadeira intenção: manter Paul em cativeiro e, acima de tudo: fazê-lo ressuscitar Misery.

Annie então compra uma máquina de escrever e o obriga a escrever uma continuação do último livro, à trazer a protagonista de volta a vida. Paralelo a isso, qualquer comportamento diferente de Sheldon era punido tirando seus analgésicos, momento em que ele cai em si e entende o vício que agora cultiva pelos remédios.

Que Annie é maluca conseguimos entender logo nos primeiros capítulos do livro. O que surpreende é até que ponto essa loucura chega. Além das punições que passa a aplicar a Paul por motivos banais, seus surtos de consciência em que parece ter apagado completamente por alguns minutos e sua paranoia elevada a níveis quase que inimagináveis, Paul vai descobrindo cada dia mais coisas sobre sua enfermeira, coisas que tornam toda a história ainda mais sinistra.

Sendo meu primeiro contato com a escrita de Stephen King, posso dizer que esperava mais. Todo o burburinho em volta do autor me fez imaginar coisas muito mais sinistras e aterrorizantes. Ao menos em Misery, a leitura é bastante arrastada em 80% do livro, sendo os outros 20% tão bizarros que é impossível não devorar. 

O ponto mais interessante é, com certeza, os devaneios que Paul Sheldon passa a ter acerca da sua vida, a carreira como escritor e, mais tarde, certos pensamentos confusos que mesclam passado, presente, futuro, ficção, e até mesmo a história de Misery que agora escreve.

Acredito que, se escrito em primeira pessoa, passaria muito melhor as aflições do personagem do que da forma que foi escrito, em terceira pessoa. Um livro que se passa quase que em sua totalidade dentro de um quarto, com dois únicos personagens, acaba se tornando maçante quando contado por um narrador de fora e não diretamente da cabeça dos personagens.

Salvo essa pequena observação, leitura mais do que recomendada. E obviamente que o final deixou um gostinho de quero-mais, e mal posso esperar pra conhecer outros livros do autor!

Infos:
Título Original: Misery
Autor: KING, Stephen
Editora: Objetiva
ISBN: 9788581052144
326 páginas.

2 comentários :

  1. Oi Ana!
    Morro de vontade de conhecer os títulos do autor, mas também tenho medo, hehe. Estava me interessando pela história (e até pensei em pesquisar preços), mas quando você disse que o livro é 80% arrastado, eu meio que desisti. Mas estou indo procurar algum outro livro do autor que, talvez me agrade.

    Bjss

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  2. Stephen King fala dessa história no livro "Sobre a Escrita". Ele diz que é uma metáfora sobre o vício que de drogas que ele enfrentava na época, e ele o escreveu sob uma intensa pressão, quando estava no auge de sua dependência, bebendo todo dia e cheirando (quase todo dia também). Ele o fez como uma válvula de escape, que era a única maneira que ele conhecia de fazê-lo. O desespero e a aflição que o livro dá, de estar preso nas garras de algo consideradamente mais poderosa que você, é a sensação que ele tinha com as drogas. E no fim, Paul consegue escapar, como ele o fez indo para a reabilitação. De longe não é a melhor escrita dele, e tem livros incrivelmente mais interessantes. Ele mesmo classifica Misery como maçante, mas se você ler Love, ou qualquer um da série A Torre Negra, ou A Dança da Morte, vai ver que tudo o que falam sobre ele é pouco.

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