17 de março de 2015

[Resenha] A Redoma de Vidro - Sylvia Plath

Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim. (...) Talvez o esquecimento, como uma nevasca suave, pudesse entorpecer e esconder aquilo tudo. Mas aquilo era parte de mim. Era a minha paisagem.

A Redoma de Vidro, como já comentei no vídeo lá no youtube, foi um livro que minha amiga lindíssima Drielly me indicou. Desde quando nos conhecemos ela me diz que eu com certeza iria amar esse livro e me identificar muito. E olha, é incrível ter por perto pessoas que nos conhecem tão bem, né?

O romance, que foi o único da poeta Sylvia Plath, tem como protagonista Esther Greenwood - uma jovem de classe média que, após ingressar em uma prestigiada universidade no interior dos Estados Unidos, é premiada com um estágio de algumas semanas em uma revista feminina em Nova York.

O tempo que passa na cidade é recheado por altos e baixos. Vivendo entre festas, bebedeiras, ressacas e ainda com a oportunidade incrível na revista, Esther volta para casa com profundas marcas das poucas semanas que esteve longe. O que tinha tudo para ser o momento mais espetacular de sua vida, se tornou o início de uma agonia mortal, a depressão.

Pode parecer estranho sentir tanta identificação com uma personagem depressiva, mas não é, e aqui faço um parenteses para um detalhe bastante particular sobre mim: eu conheço as dores da depressão. E tenho certeza que minha amiga, a Drielly, sabia exatamente o porquê desse livro me tocar tanto.

Eu me vi em todo o processo da Esther: desde o fato que deu o gatilho para a doença se manifestar; a sensação de não pertencer a lugar algum; o pensar estar ficando maluca e até mesmo os frequentes pensamentos suicidas. Eu vivi tudo na minha pele, e ver tudo isso retratado em um livro me tocou de uma forma que só um livro havia me tocado antes.

Não é pra menos que Sylvia conseguiu com maestria relatar tudo isso em um romance: a poeta também sofreu de depressão, e depois de anos de tentativas, cometeu suicídio aos 31 anos. Mesmo que esse fato não fosse do meu conhecimento, acredito que só quem já passou pela montanha-russa que é a depressão conseguiria retratá-la de forma tão fiel e dolorida. A cada página, eu sentia as dores de Esther e também as dores de Sylvia.

Não sei até que ponto essa leitura é agradável ou até mesmo compreensível para quem nunca teve certo contato com a doença - parentes próximos ou um contato mais profundo -, mas acredito também que certas leituras estão aí justamente para causar desconforto, pra tirar o leitor da sua zona de conforto, e eu indico esse livro fortemente pelo fato de diversas pessoas próximas a mim não saberem lidar com a situação em que me encontrei e também que a Esther se encontra no livro.

A própria mãe da personagem não sabe direito como lidar com isso, e o fato do livro ser narrado em primeira pessoa pela protagonista nos faz sentir como que dentro dos pensamentos dela. É, sobretudo, um livro para ser lido não só como ficcção (até essa categorização é colocada em prova, tendo em vista todo o histórico de Sylvia Plath e possíveis pitadas de autobiografia), mas para ser lido como um relato que poderia ter sido escrito por um amigo próximo, um vizinho, seu pai, sua mãe... Até me por você mesmo.

Infos:
Título Original: The Bell Jar
Autora: PLATH, Sylvia
Editora: Biblioteca Azul
ISBN: 9788525057945
274 páginas
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2 comentários :

  1. A minha filha anda muto deprimida e eu, como mãe não sei o que fazer. Pensa que seria bom para ela ler esse livro. Beijinhos

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    Respostas
    1. Oi Maria! O livro é bastante bom, mas te indico um ainda melhor que pode ajudar muito sua filha (pois me ajudou muito na minha depressão): Alucinadamente Feliz, da autora Jenny Lawson :)

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