30 de janeiro de 2015

[Destilando Palavras #5] Cartas (I) - Sobre Gestos

Meu bem, tem dias que tudo que eu gostaria de fazer é te olhar. Olhar cada gesto, como se fossem únicos. Como se você fosse um daqueles cometas que demoram milênios pra passar pela terra e, em uma madrugada de insônia, eu tivesse a chance de te ver rasgando o céu.

Queria fotografar com os olhos quando você acordasse, lacrimejando, os olhinhos pequenos e vermelhos. Você se espreguiçando, como se quisesse se libertar daquele corpo e segundos depois, voltando à calmaria.

Queria poder aparecer no meio da noite, entrar por debaixo da porta do seu quarto e te observar dormir, ali, sentada enquanto tomo um café (ou uma coca?) e sumir saltando pela janela ao menor movimento que você fizesse.

Às vezes acho que quero guardar todos os seus gestos em potinhos especiais – o potinho pra quando você me abraça até me deixar sem ar, um outro com todas as vezes que me deixou chorar em você e fazer piscininhas nos olhos.

Um pote bem grande pra todas as vezes que aqueceu meu coração e me fez pensar que eu não aguentaria tanto amor assim.

Um pra quando você sorri e deixa à mostra a covinha do lado direito.

E um especial, com a tampa bem fechada pra nunca correr o risco de perder – um pote pro dia em que eu quis chorar abraçando os joelhos embaixo do seu lençol e você (pode ter me achado doida mas) deitou comigo e me deixou chorar até soluçar, sem nem saber porquê. Em resumo: um pote pro dia em que eu tive certeza de que, afinal, era você.

Só você.


(Dezembro/2013)

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