30 de janeiro de 2015

[Destilando Palavras #5] Cartas (I) - Sobre Gestos

Meu bem, tem dias que tudo que eu gostaria de fazer é te olhar. Olhar cada gesto, como se fossem únicos. Como se você fosse um daqueles cometas que demoram milênios pra passar pela terra e, em uma madrugada de insônia, eu tivesse a chance de te ver rasgando o céu.

Queria fotografar com os olhos quando você acordasse, lacrimejando, os olhinhos pequenos e vermelhos. Você se espreguiçando, como se quisesse se libertar daquele corpo e segundos depois, voltando à calmaria.

Queria poder aparecer no meio da noite, entrar por debaixo da porta do seu quarto e te observar dormir, ali, sentada enquanto tomo um café (ou uma coca?) e sumir saltando pela janela ao menor movimento que você fizesse.

Às vezes acho que quero guardar todos os seus gestos em potinhos especiais – o potinho pra quando você me abraça até me deixar sem ar, um outro com todas as vezes que me deixou chorar em você e fazer piscininhas nos olhos.

Um pote bem grande pra todas as vezes que aqueceu meu coração e me fez pensar que eu não aguentaria tanto amor assim.

Um pra quando você sorri e deixa à mostra a covinha do lado direito.

E um especial, com a tampa bem fechada pra nunca correr o risco de perder – um pote pro dia em que eu quis chorar abraçando os joelhos embaixo do seu lençol e você (pode ter me achado doida mas) deitou comigo e me deixou chorar até soluçar, sem nem saber porquê. Em resumo: um pote pro dia em que eu tive certeza de que, afinal, era você.

Só você.


(Dezembro/2013)

28 de janeiro de 2015

[Vídeo-Resenha] O Sol é Para Todos - Harper Lee

Oi gente!

Essa é a primeira resenha em vídeo que eu faço, e ela faz parte da minha meta de leitura de 2015 - a Charlie's Book List, que falei um pouquinho no vídeo da semana passada. Espero que vocês gostam e que relevem alguns pequenos erros, já que foi minha primeira vídeo-resenha da vida!



Ps.: eu li minha versão em e-book e há algumas edições publicadas em livro físico em português. Porém, todas estão esgotadas no fornecedor e provavelmente você só encontrará em sebos ou - se conseguir -, pode se arriscar e ler direto do original, em inglês!

26 de janeiro de 2015

[Livro x Filme] A Esperança (parte 1) - Suzanne Collins

Pode conter spoilers.


Já faz um certo tempo que assisti à primeira parte da adaptação de A Esperança, último livro da trilogia Jogos Vorazes. Pra falar a verdade, acabei assistindo duas vezes - uma na estreia, e outra algumas semanas depois -, mas só agora consegui organizar as ideias pra comentar um pouco com vocês sobre o que achei.

Terminei de ler o livro praticamente dois dias antes de assistir ao filme, ou seja, a história estava bastante fresca na minha memória (costumo fazer isso com quase todas as adaptações que são lançadas); e o que posso dizer sobre essa primeira parte da adaptação se resume a uma palavra: desnecessária.

Como filme - vejam bem, como filme, uma obra completamente independente e sem ligação ou obrigação alguma com um determinado livro -, A Esperança cumpriu seu papel com maestria. Achei que os efeitos visuais melhoraram imensamente se comparado ao primeiro filme da franquia, os cenários foram muito bem construídos e a atuação... Gente, as atuações! Sem palavras para Katniss e Peeta. Exatamente como os imaginei ao ler o livro, se não, até melhores.

Mas tratando o filme como adaptação, e principalmente no que diz respeito à divisão do último livro em duas partes, é perceptível a jogada de marketing. Como?! Transformando o que seria apenas uma big bilheteria em duas big bilheterias. 

Nesse primeiro filme a história começa com Katniss acordando em um lugar totalmente novo, que mais tarde descobrimos ser o Distrito 13. Tudo muito bem, tudo muito bom (inclusive, as tomadas do Distrito 13 de baixo para cima são incríveis. Dá uma impressão muito melhor da magnitude das instalações, uma impressão que já era boa no livro, mas se tornou magnífica nas imagens). 

Durante quase metade do filme tudo o que vemos é o dia-a-dia de Katniss no Distrito 13. As cenas de ação, apesar de serem de tirar o fôlego, são escassas, o que poderia muito bem tornar o filme tedioso e dar aquele soninho na audiência. Foi o que me aconteceu na segunda vez que assisti ao filme no cinema.

A cena final valeu pelo filme todo. As atuações, nesse momento, estão impecáveis, dignas de um Oscar. Porém, todo o restante do filme foi dispensável, principalmente porque ele retrata apenas 1/3 da obra completa. 1/3 de história, pra mais de duas horas de filme. Só confirma a minha tese: pura jogada de marketing.

Resumindo: tudo o que foi contado nesse primeiro filme em mais de duras horas, poderia ser contado em trinta minutos se o último livro fosse transformado em um único filme. Mas obviamente o mercado cinematográfico prefere dividir em duas partes, dobrando assim o seu lucro. Nada de novo sob o sol.

Apesar de todas essas reclamações, o filme é realmente muito bem feito, tomadas e fotografia de fazer brilhar os olhos e uma trilha sonora que conta com Jennifer Lawrence cantando! Sim, a música ficará na sua cabeça por semanas. Mas é impossível não se arrepiar todas as vezes que as primeiras notas começam a tocar no filme.

Sigo no aguardo da parte 2, curiosa pra saber se minhas teorias se confirmam.



(trailer legendado)

21 de janeiro de 2015

[Resenha] Filme Noturno - Marisha Pessl

Algumas pessoas sentiam de tal forma o peso de um segredo que o dariam de graça a qualquer estranho disposto a aceitá-lo.

Filme Noturno foi o primeiro livro que concluí em 2015, e já comecei o ano com uma das leituras mais pesadas e longas que já fiz. Quando recebi o e-mail com os lançamentos de novembro da editora Intrínseca, meu interesse por esse thriller foi imediato, e sabia que viria uma história muito diferente por aí.

Tudo começa com a misteriosa morte de Ashley Cordova. Ashley era filha de um dos diretores de cinema mais controversos e misteriosos que já existiu - Stanislas Cordova. Com filmes que mesclam pitadas de Lars Von Trier, Hitchcock e tudo de mais bizarro que pode ser encontrado na história do cinema, o diretor vive isolado em uma gigantesca propriedade cercada por lagos e florestas, e sua aparência é um segredo que poucos conhecem, já que suas aparições são raras e sua última entrevista foi publicada há mais de 10 anos.

Scott McGrath é um jornalista investigativo que teve sua carreira arruinada ao se meter com o cineasta. Há alguns anos, instigado por toda a nuvem negra que cercava a história de Cordova, Scott iniciou um trabalho de pesquisa sobre sua vida e obra. Seus problemas começaram quando recebeu uma ligação do suposto motorista de Cordova, denunciando certos comportamentos estranhos dele. O jornalista então vazou a história para a imprensa, e acabou tendo de pagar uma fortuna por difamação e danos morais.

Com a morte de Ashley, Scott volta a sentir que há algo de muito errado com a família Cordova, e seu interesse por pesquisar o assunto mais a fundo volta como um furacão, virando sua vida de cabeça para baixo. A partir disso, começa uma investigação por conta própria para descobrir o que levou Ashley a supostamente se suicidar.

Logo no começo de sua jornada, o jornalista encontra duas pessoas que serão muito importantes na investigação: Nora, a última pessoa a ver Ashley com vida, e Hopper, que descobre-se ter um passado intrigante com a vítima. Ambos passam a ser companheiros número um de Scott na investigação, que se embrenha por caminhos obscuros e cada vez mais intrigantes.

A história passa por clínicas psiquiátricas, prédios abandonados, festas secretas, lojas de antiguidades, estúdios de tatuagem, um site secreto criado pelos Cordovitas - os fãs mais lunáticos de Cordova - para discutir as obras do diretor, sessões secretas e fechadas de seus filmes... Até magia negra é envolvida na trama!

Esse foi um dos livros com mais reviravoltas e passagens inesperadas que já li. A cada capítulo um novo elemento era adicionado à história, misturando o caso da morte de Ashley com as histórias bizarras dos filmes de Cordova. Passei o livro todo com as mesmas dúvidas dos personagens, e me sentia parte da investigação também. Em nenhum momento tive qualquer suspeita de como o livro acabaria - e realmente fui surpreendida (não de uma maneira positiva, mas como a Cássia do Procurei em Sonhos citou: o livro teve o final que merecia).

Quero destacar todo o trabalho de diagramação e edição do livro. Mais uma vez, a editora Intrínseca nos dá um presente a cada página virada. A começar pela capa - a fotografia da mulher de vermelho é completamente compatível com a história, além de ser maravilhosa. As letras da capa receberam um efeito holográfico lindo, lindo, lindo. Com certeza uma das melhores capas que tenho na minha estante.

Além disso, toda a trama é construída com documentos, fotos, e-mails, laudos médicos... E tudo isso está devidamente reproduzido no livro, não em forma de texto, mas num trabalho gráfico que com certeza nos aproxima da história.






Filme Noturno foi o primeiro livro que me fez fechar suas páginas durante a madrugada com medo de apagar as luzes na hora de dormir! Indico a leitura e, principalmente, deixo a dica de quem puder adquira o livro. O trabalho gráfico feito nele merece ser guardado e admirado sempre que possível.

Infos:
Título Original: Night Film
Autora: PESSL, Marisha
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580575903
622 páginas.

Livro cedido para resenha pela editora.
Para comprar: Submarino | Americanas
(comprando através dos links do blog, a blogueira que vos fala ganha um dinheirinho pra investir em mais resenhas pra cá)

20 de janeiro de 2015

[Youtube] Primeiro vídeo do canal! Charlie's Book List 2015

Oi gente!

Quem acompanha a fanpage no facebook já sabe da novidade: essa semana resolvi publicar o primeiro vídeo do canal do blog! Nele eu contei um pouco sobre minha meta de leitura pra 2015: a Charlie's Book List, que consiste em um apanhado de todos os livros lidos pelo Charlie no livro As Vantagens de Ser Invisível.


Algumas considerações:

1) Esse foi o primeiro vídeo que gravei na vida. Ou seja, tem muitos tiques nos olhos, palavras esquecias e repetidas e principalmente vergonha. Desconsiderem tudo isso! Prometo que os próximos serão melhores;

2) Ainda não me acostumei com a plataforma do youtube. Não sei muito bem como usar as tags e nem ajeitar o meu canal pra deixá-lo bem bonitinho. Mas como disse: são coisas que só com o tempo vão se ajeitando, e espero que enquanto isso vocês foquem no conteúdo dos vídeos e não nos detalhes;

3) Se inscrevam, curtam o vídeo, divulguem pros amigos!!! :)

16 de janeiro de 2015

[Destilando Palavras #4] Prosinha Antiga

Queria escrever um livro, um poeminha, uma prosa, um bilhete, uma carta, um ensaio, um mantra… O que fosse! Queria contar aquela história. O mistério, a descoberta, o teorema de Platão, a fuga, o retorno, o encontro, a chuva, o que quase aconteceu, o que quase não passou. O adeus, o ódio, o tanto que escrevi sobre, a certeza de um “jamais” pra tudo que antes era um “quem sabe”. Coisas que nunca tiveram um prefacio e nunca terão um ponto final.

Somos eternas reticências…

(Maio/2012)

14 de janeiro de 2015

[Resenha] I am Pusheen The Cat - Claire Belton


Não é segredo pra ninguém - e se era, já não é mais -, que sou loucamente apaixonada por gatinhos. Tenho 3 em casa e qualquer coisa relacionada ao mundo dos felinos me deixa com o coração quentinho.

Eu já conhecia a fanpage da Pusheen, a gatinha das figurinhas do facebook, e foi maravilhoso ganhar no amigo secreto da faculdade um livro cheio de coisas fofinhas dessa gatinha tão fofa!

O livro é em inglês e ainda não há previsão de quando a tradução chegará ao Brasil, mas pra quem já tem um nível básico de inglês é super fácil de entender (ainda mais se tiver um gatinho!), já que os textos são curtos e com imagens que ilustram bem.



(Madonna querendo saber quenhé essa tal de Pusheen aí)

O livro é dividido em 5 partes. A primeira é uma breve apresentação sobre a Pusheen - nome que, em irlandês (puisín) significa o mesmo que gatinho. Nesse capítulo conhecemos mais sobre a personalidade da gatinha, como por exemplo coisas que ela ama, os lugares preferidos para receber carinho, e também um guia para outros gatinhos fazerem coisas de gatinhos aos olhos da Pusheen. O guia inclui como ter um dia preguiçoso, posições para dormir e outras coisas muito, muito fofinhas. Foi nessa parte que descobri que tenho mais em comum do que imaginei com ela: Pusheen adora bloggar! E inclusive mantém um blog ativo na internet: www.pusheen.com/


O segundo capítulo nos traz diversas coisas que devemos saber sobre os gatos em geral: emoções, suas feições, opções de emprego para um gatinho (!!!) e coisas que todo gateiro com certeza se identificou e saiu correndo pra afofar seu gatinho quando leu! Essa foi uma das partes mais fofas com toda a certeza, já que vi naqueles desenhos todas as coisinhas que os meus gatos fazem, e é incrível. Sério. Gato é um animais incrível demais.

O capítulo três , "How to Live", é basicamente composto por coisas essenciais na vida de um gato, e também está recheado de fofuras que todo gato faz. Dentro do capítulo tem até jeito de se usar um Marshmallow, com ilustrações da Pusheen usando o doce como sapatinhos!!!!!!!! É muito amor. Eu não sei lidar. Me segura.


(Baker!!!!!!!!!!! Amassando pãozinho!!! S.O.S)

Os últimos dois capítulos são dedicados, respectivamente, à irmãzinha mais nova chamada Stormy que é tooooda peluda e fofinha; e a uma série de ilustrações denominada "A Year In Life Of Pusheen", onde a gatinha aparece fantasia de forma temática para cada estação ou data comemorativa do ano. Lindo pra acompanhar, fotografar e deixar suas redes sociais mais fofas.

Esse foi um dos livros mais fofos que já vi na vida! Enquanto lia, era impossível  não pausar a leitura pra procurar meus gatinhos e dar uns apertões neles. Toda pessoa que convive com um vai se identificar com muitas (muitas mesmo) passagens do livro, e é quase impossível não se encantar.

Minha vontade era encher esse post de fotos de todas as páginas do livro, mas vou deixar vocês na curiosidade! É possível encontrar mais imagens fofas da Pusheen na fanpage oficial no facebook ou no próprio site, onde o livro está à venda juntamente com outros mimos da gatinha, como pelúcias e moletons.

Amor demais!

Infos:
Título Original: I am Pusheen The Cat
Autora: BELTON, Claire
Editora: Touchstone
ISBN: 9781476747019
177 páginas




9 de janeiro de 2015

Projeto Jornalista: O segundo semestre

Oi gente! Esse é mais um post da série Projeto Jornalista, onde conto como é estar cursando a faculdade de Jornalismo. Você pode conferir aqui as outras postagens da série.

O segundo semestre começou muito complicado pra mim (muito mesmo, muito, não sei nem mensurar em palavras). Era difícil me concentrar nas aulas, fazer os trabalhos, as leituras exigidas, e acabei perdendo muita coisa nos primeiros dois meses. O que amenizou e me ajudou a levar o semestre adiante foi um toque especial que não existia no primeiro: meus amigos!

(Teve amigo secreto literário? Teve!)

Durante 20 anos tive a sensação de não pertencer a lugar nenhum, de não me encaixar. Tinha amigos, claro, mas nenhum deles com tanta afinidade assim e que soubesse exatamente o que é "ser eu". Na faculdade eu encontrei esses amigos graças aos livros! Com gostos em comum, e a princípio conversando sobre como os livros tem uma capacidade incrível de mexer com a nossa vida, conheci as pessoas mais incríveis que eu poderia conhecer, e finalmente me senti pertencendo a algum lugar. Obrigada, seus lindos! Só sobrevivi a esse semestre porque tive vocês.

Mas voltando ao foco jornalístico da coisa, esse semestre fui apresentada a uma área que sempre me causou medo: o radiojornalismo. Através da aula de Introdução ao Jornalismo Audiovisual (ministrada por um dos meus professores favoritos), perdi o medo dos gravadores. Sempre achei (e todos ao meu redor também) que minha voz é horrível. Aguda, infantil, alta demais. Mas na aula de radio, apesar de muita dificuldade com a disciplina no começo, me superei e posso dizer que hoje a minha voz não me assusta mais. Posso não ter nascido para o rádio, mas nasci pro jornalismo, então enfrentarei qualquer coisa que vier pela frente!

Também tive meu primeiro contato com o telejornalismo, a aflição da primeira gravação de reportagem em frente às câmeras (imagina ao vivo?!) e o nervosismo de gravar um telejornal. Mas no final tudo deu certo e foi um trabalho muito gratificante. Percebi que gosto mais de estar diante das câmeras do que imaginava - e isso me deu um animozinho pra gravar vídeos pro blog.

("Ana Letícia Lima, de Campinas")

(Boa noite!!!)

Uma das minhas aulas favoritas do semestre foi Jornalismo e Cultura Digital. Todo o conteúdo aprendido em sala tem a ver tanto com a profissão que escolhi, como com meu trabalho no blog. Noções de SEO, de plataformas digitais, redes sociais... Uma aula bastante gostosa, realmente.

Fora as aulas bastante voltadas ao jornalismo, tive também as complementares, como Língua Portuguesa (nunca pensei que fosse sofrer tanto em uma aula de português!), Metodologia do Trabalho Científico (e o monstro do fichamento) e História Contemporânea do Brasil - de longe a minha favorita.

Apesar de ter começado o semestre de uma forma péssima, me senti realizada ao concluí-lo. Minhas notas caíram, sim, mas de uma forma geral, consegui fechar o semestre com notas altas que compensaram as baixas e manter minha média acima de 8. 

Pro semestre que vem já espero muitas surpresas: me inscrevi para monitoria da matéria de Introdução ao Jornalismo Impresso e fui selecionada! Ou seja: a partir do início do ano letivo, pelo menos duas vezes por semana estarei em dupla jornada na faculdade, ajudando e repassando meu conhecimento para os novos focas que entrarão. Estou muito ansiosa e com medo, mas com certeza será um desafio recompensador!

(Post dedicado aos meus amigos lindos: Carol Luppi, Drielly, Pedro e Thaís <3)

7 de janeiro de 2015

[Resenha] Desventuras em Série vol. 3: O Lago das Sanguessugas - Lemony Snicket

Se você não tem estômago para engolir uma história que inclui um furacão, uma invenção para sinalizar pedidos de socorro, sanguessugas famintas, caldo frio de pepinos, um horrendo vilão e uma boneca chamada Perfeita Fortuna, é provável que se desespere ao ler este livro.


O Lago das Sanguessugas é o terceiro volume de Desventuras em Série. Para ler as resenhas dos dois primeiros títulos, clique aqui.

Yay! Finalmente darei continuidade às resenhas dos livros da coleção Desventuras em Série, e dessa vez com um bônus: durante o natal resolvi me presentear com o box contendo os 13 livros da coleção. E uma dica: vale muito a pena! Os livros são lindos, com um acabamento maravilhoso na capa e com ilustrações lindíssimas. Procurando bem, é possível encontrar a coleção completa por menos de 10 reais cada livro!

Agora que já estou equipada com toda a coleção e dividi com vocês minha alegria com essa compra, vamos para a história?

Obviamente, em O Lago das Sanguessugas, os irmãos Baudelaire tentam levar uma vida tranquila e longe de mais encrencas - plano esse que dificilmente dá certo. Dessa vez, os órfãos são entregues à uma tia distante chamada Josephine, viúva que vive sozinha numa cidadezinha que cresceu às margens de um lago.

Logo na chegada as coisas não são muito bem como imaginavam, e a cada da Tia fica em uma encosta tão íngreme que dá a impressão de poder desabar a qualquer momento no terrível lago onde, diz a lenda, vivem sanguessugas gigantes que sentem de longe o cheio da comida e devoram qualquer um que se aproximar do lago após uma refeição.

Apesar de muito bem intencionada, tia Josephine tem lá suas particularidades, e uma delas é seu terrível medo de toda e qualquer coisa. Josephine tem medo de usar o telefone, o fogão, as luzes, literalmente tudo, e isso torna a vida dos Baudelaire aos poucos entediante (mas, claro, nada comparado aos horrores sofridos na mão do Conde Olaf).

E por falar nele, ele dá seu jeitinho de reaparecer na vida de Sunny, Klaus e Violet, e dessa vez temos quase certeza de que eles não conseguirão escapar.  Esse com certeza foi um dos livros que mais me senti aflita até agora, e com um verdadeiro medo pelos irmãos. 

Um detalhe que ainda me admira muito é a forma como diversos assuntos são tratados com naturalidade. Não é segrego pra ninguém (ou não deveria ser, a essa altura do campeonato), que o Conde Olaf não mede esforços para conseguir o que quer, e isso inclui assassinar pessoas inocentes, torturar as crianças e todo tipo de maldade e falcatrua possível.

Me admira principalmente como essas ações são tratadas em um livro a princípio voltado ao público mais jovem, a partir dos 12 anos. Tudo isso dá uma maturidade maior ao livro, que apesar de todo ilustrado e com elementos de fantasia, consegue  prender todas as idades à sua trama. 

Volto a destacar a forma como os livros, a partir do primeiro, têm um ar muito mais de conto do que de livro, o que ajuda na leitura super rápida e fluida que tive dos volumes. Aparentemente esse modelo não persiste até o final da coleção - agora, com os livros físicos, é possível notar uma diferença gritante entre a quantidade de páginas dos primeiros e dos últimos volumes da série.

Enfim, Desventuras em Série continua a ser uma indicação que levo comigo desde para pré-adolescentes a partir dos 12 anos até adultos, idosos, e enfim: qualquer pessoa que ainda consiga enxergar um pouquinho de fantasia e esperança na vida dos órfãos mais injustiçados da literatura moderna!

Infos:
Título Original:A Series of Unfortunate Events - The Wide Window
Autor: SNICKET, Lemony
Editora: Seguinte
ISBN: 9788535919721
185 páginas.
Para comprar: Submarino | Americanas.
(comprando através dos links do blog, a blogueira que vos fala ganha um dinheirinho pra investir em mais resenhas pra cá)

5 de janeiro de 2015

Ação: #SegundoAntônio #SegundoLeitores

Oi gente!

Quem acompanha nossa página lá no facebook deve ter visto essa imagem aqui e ficado curioso pra saber o resultado. Antes de mostrar todo o processo de produção e o resultado final, vou explicar melhor como essa ação aconteceu e qual seu objetivo.

No comecinho do mês de Dezembro recebi um envelope da editora Intrínseca, nossa parceira. O envelope continha um cartão com instruções e um desenho incompleto do Pedro Gabriel, autor do livro Eu Me Chamo Antônio e Segundo Antônio, lançado recentemente.

A ideia era completar o desenho da forma como quiséssemos, deixando a criatividade fluir! Depois era só enviar o desenho de volta para a editora e postar nas redes sociais com as hashtags #SegundoAntônio e #SegundoLeitores.

Dentre os desenhos participantes, 5 serão escolhidos pelo próprio autor para fazerem parte das estampas de caderninhos e outros mimos da editora que serão lançados em 2015. Além disso, cada vencedor ganha um kit sensacional com o livro. 

Bom, vamos então conferir como eu me saí nas artes visuais?!




E o resultado final foi


Antes de tudo, queria dizer que usei uma caneta preta que quando secou ficou azul :( E só isso já destruiu meus sonhos hahaha. 
Segundo, a frase foi inspirada em um conto do autor Caio Fernando Abreu, que deixarei aqui no final do post.

Se você quiser ver o que outros blogueiros criaram, é só acessar o mural no site da Intrínseca!

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.

2 de janeiro de 2015

[Destilando Palavras #3] Untitled

O ano é novo mas a dor é antiga.
Um fragmento de um texto que escrevi há dois anos atrás.

O ano é novo de novo. Mas a dor ainda é antiga.
(Dezembro/2012/2014)