25 de agosto de 2014

Minha experiência com a Bienal do Livro em SP

Oi gente!
Antes de tudo gostaria de dizer que essa é só a minha visão sobre o evento. Pela internet, em grupos e blogs, vocês vão encontrar as mais diferentes experiências - boas e ruins -, então esse não é o único texto que deve ser levado em consideração quando o assunto é a Bienal, ok?

No último final de semana estive na tão esperada Bienal Internacional do Livro em São Paulo. Esse foi com certeza um evento que esperei por bastante tempo, e talvez minhas expectativas fossem muito grandes, coisa que pode ter atrapalhado um pouco na minha perspectiva geral. Mas vou contar um pouquinho sobre o que aconteceu e vocês me contem se, na opinião de vocês, os fatores internos tiveram mais peso nessa percepção.

Cheguei em São Paulo por volta das 21h do dia 22, sábado. Cheguei esse horário porque tinha algumas coisas para resolver na cidade, e viraria a noite acordada até o horário de ir para o Anhembi. Cerca de 5h30 da manhã resolvi apenas passar em frente ao parque de exposições pra me localizar, saber onde era e esperar o horário de entrar... Qual não foi minha surpresa ao saber que já tinham muitas pessoas lá, formando fila?! Fiquei abismada. Desci do carro e entrei na fila também. Descobri assim que algumas pessoas chegaram lá às 3h da manhã (!!!!). Em menos de 1h a fila já tinha dobrado de tamanho, e antes das 7h já ultrapassava os portões de entrada do local.

Meus problemas começaram ali. Eu enrolei mesmo muito tempo pra comprar os ingressos e resolvi comprar lá, na hora, imaginando que todo mundo já tinha comprado e estava bem e feliz na fila. Engano meu. Uma fila gigantesca se formou para esperar a bilheteria abrir, e o descaso por parte da organização estava evidente. A cada momento, um horário diferente nos era passado para a abertura: às 8h, às 8h30, "daqui a 5 minutinhos" e, por fim, às 9h.

Quando finalmente consegui o meu ingresso e fui procurar o final da fila para a entrada... Era simplesmente impossível. Ao redor da porta de entrada ao evento, centenas de pessoas aglomeradas, com pouco espaço, no sol forte, sem conseguir respirar. Mais pro final, a coisa foi tomando forma e a partir do portão de saída do parque uma fila indiana se formava até virar a esquina. As pessoas gritavam, vaiavam, e se aglomeravam de uma tal forma que passar por eles pra ir até o banheiro foi como uma missão impossível.

Eu sinceramente não sei como a organização do evento conseguiu, mas depois de algum tempo sentada na sombra acreditando que eu nunca entraria no evento, uma fila começou a se formar e a entrada foi até tranquila. Consegui entrar por volta das 10h.

Lá dentro, ao menos no momento em que entrei, tudo estava bastante organizado. A fila para retirada das senhas dos autógrafos da Kiera Cass e Cassandra Clare estava gigantesca, mas organizada. Dei uma volta por alguns estandes - mais em busca do estande da Intrínseca do que analisando os outros, confesso -, e fui para o encontro de blogueiros da editora.

O evento foi bastante bacana, não foi lotado, e atrasou só alguns minutinhos (estava marcado para as 10h, mas nesse horário poucas pessoas haviam entrado). Conhecemos o que a editora já lançou de legal no primeiro semestre desse ano e todas as novidades que vêm por aí no próximo. A surpresa ficou por conta da presença de Hugh Howey, autor de Silo. O moço foi todo simpatia, não poupava elogios e se disse encantado com os fãs brasileiros. Rolou um bate papo bem legal sobre mercado editorial, blogosfera e publicações, e uma mini-sessão de autógrafos (da qual eu não fiz parte porque não tinha o livro :< )
No final, todos os participantes ganharam um kit com ecobag, camiseta e bottom. Muito amor!

Quando saí do evento, eu juro que assustei: o número de pessoas era, basicamente, umas 10x maior do que no início, e só havia passado 1h30 desde o momento da abertura dos portões.
Como já era quase 12h e eu não comia nada desde a madrugada, fui para a área dos restaurantes. Nas duas extremidades da Bienal haviam locais para comer, sem contar as barraquinhas entre os estandes, mas as filas eram absurdas e os preços mais ainda. Eu não sei se o problema foi a Bienal, já que na própria rodoviária do Tietê os preços também estavam bem salgados, mas uma latinha de refrigerante custar 5,00? Uma garrafinha de 500ml quase R$10,00?
Por diversas vezes senti que ia desmaiar a qualquer momento. Não se passava menos de 30 minutos numa fila pra comer, e as mesinhas para a alimentação eram escassas. Não era raro ver pessoas comendo sentadas no chão - isso inclusive acontecia em todos os espaços possíveis.

Por fim, passei todo o meu tempo na Bienal sentada porque me movimentar pelos corredores era impossível. Fui inclusive empurrada e mal tratada por um funcionário de uma editora que pensou que eu estava tentando cortar fila de uma sessão de autógrafos quando na verdade eu só estava parada no corredor porque as pessoas simplesmente não se moviam.

Minha conclusão é de que a falta de organização estragou um evento que tinha tudo pra ser espetacular. 80% das pessoas que buscam a Bienal do livro têm a intenção sim de comprar livros, inclusive uma lista extensa deles, e mal conseguiu chegar ao estande onde eles eram vendidos. O que eu via eram centenas de pessoas que pagaram pra entrar num evento e ficarem sentadas no chão. O espaço definitivamente não comportava o número de pessoas que tinha, e por muitas vezes imaginei que se passasse mal lá no meio ou se um incêndio começasse, seria impossível correr dali.

Acredito que para as próximas edições, a organização do evento precisa urgentemente rever a questão dos ingressos. Não dá pra fazer um evento desse porte e não colocar um limite de ingressos à venda por dia. Será que o aprendizado só será válido o dia em que um acidente acontecer? Muitas pessoas conformadas me disseram "mas a Bienal é assim, sempre tem tumulto". Sinto muito, mas se for mesmo dessa forma, boa parte do público não voltará mais. Eu havia comprado ingresso para dois dias, e voltei pra casa sem a coragem de aparecer por lá no domingo.

Espero de coração que esses problemas sejam resolvidos, é triste ver um evento que tem tudo pra ser fantástico pecar em algo tão importante.

Se você passou por alguma situação parecida, se achou o evento ótimo ou teve qualquer experiência com a Bienal, não deixe de comentar e compartilhar comigo sua impressão!

2 comentários :

  1. Queria ir de novo à bienal. Fui uma vez, mas faz muito tempo, quando eu ainda tava na escola, isso faz acho que mais de dez anos - nem era chegado a ler nessa época. Seria bom revisitar depois de velho, mas agora moro longe de São Paulo (em SC) e ter que pegar ônibus, arranjar hotel, ia sair uma fortuna - sem considerar os livros comprados.

    É uma pena que seja assim - ou tenha sido assim pra você -, baita decepção. Não lembro como foi no meu tempo. Acho que me perdi uma vez, mas não cheguei a passar mal ou me meter em multidão. A maior sacanagem é o que os restaurantes fazem. Só porque o visitante meio que tá preso lá dentro e precisa comer no estabelecimento deles, os cretinos aumentam o preço de tudo, aí só pra comprar uma água já precisa parcelar em 3 vezes. Já fico avisado pra quando eu decidir ir, aí me preparo pra esse tipo de coisa.

    delirandoeescrevendo.blogspot.com.br

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  2. Hey!

    Todos os comentários que li reclamavam da falta de organização e falavam do número absurdo de pessoas no evento. NÃO CREIO QUE O HUGH HOWER ESTAVA LÁ! E eu sofrendo por não poder ver a Cassie, agora me vem mais essa! #morta #deprimida. Enfim, eu concordo com você. Essa questão da superlotação tem que ser visto a tempo de prevenir um acidente, e não como resposta a um.

    Beijos
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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