9 de julho de 2014

Projeto Jornalista: o antes

Oi gente!
Resolvi escrever uma série de postagens sobre meu primeiro semestre na faculdade.
Antes de começar o curso, quando ainda estava no ensino médio, procurava na internet textos, relatos, vídeos, qualquer coisa que me ajudasse e me mostrasse se estava no caminho certo. Encontrei pouca coisa, acabei indo na cara e na coragem, e foi por isso que decidi fazer essa postagem. Espero que ajude as pessoas que querem seguir a mesma carreira!

Antes de tudo, quero contextualizar os meus anos pré-vestibular.
Descobri que queria ser jornalista aos 15 anos, quando terminava o ensino fundamental. Uma emissora de TV do interior de São Paulo promove todos os anos um concurso de redação dentre os alunos do último ano do ensino fundamental, e minha redação foi uma das selecionadas. Com isso, fui convidada junto com outros alunos de outras escolas, a conhecer os estúdios da emissora. 
Como lá é só uma filiada da Rede Globo, não acontecem gravações de novelas e coisas do tipo, mas sim, dos telejornais. Fiquei realmente encantada com tudo aquilo, até assistimos à gravação de uma chamada do jornal do meio dia.
Além disso, lá funciona a redação de uma revista voltada à natureza, e esse foi um dos pontos que mais me chamaram atenção. Os repórteres nos explicaram como era o dia-a-dia da redação (tanto do telejornal, como da revista), como aconteciam as gravações e a preparação das reportagens, conhecemos os equipamentos e alguns termos técnicos. Saí de lá completamente apaixonada!


(a cara de criança não muda nem depois de 5 anos!)

Isso aconteceu em 2009, e a vontade de cursar jornalismo ficou latente em mim por bastante tempo. 
Mais pra frente, no ensino médio, estudamos o jornal impresso em uma matéria voltada à comunicação e informação. Aprendemos os jargões do jornalismo, a técnica do Lide (do inglês lead) que é usada na produção de toda notícia e também produzimos um jornal. Nessa época eu tinha muitas dúvidas sobre qual carreira seguir, apesar desse amor pela informação. Gostava das ciências sociais, de letras, de história, de cinema... Aos poucos, fui descobrindo que encontraria um pouco de todas essas matérias na faculdade de jornalismo, e aí tive certeza do que queria!

O pior ano de todos chegou: o ano do vestibular.
O último ano do ensino médio foi realmente sofrido pra mim. Eu sabia o que cursar, mas não sabia onde. Da escola onde vim, sucesso significava passar em uma universidade pública. Não interessava se a nota do seu curso fosse mais alta em uma particular, se você fosse pra lá, era considerado fracassado. Pode parecer exagero, mas até alguns professores endossavam essa teoria, e obvio que isso desesperava todos os alunos. Ninguém nunca se sente preparado pro vestibular. 

Sempre ouvi que dentre as públicas, a USP é a melhor na área da comunicação, e a concorrência do vestibular deixa isso bem claro: jornalismo, publicidade e audiovisual fazem parte da lista de cursos mais concorridos e com a maior nota de corte do vestibular da Fuvest. 
Se os outros alunos não se sentiam preparados, imagina eu - que apesar de me esforçar muito, nunca tirei mais do que razoável em exatas.
De cara desisti da USP, era um sonho muito alto pra mim. Dentre as outras opções, eu claramente não conseguiria me sustentar em outro estado, então optei pela Unesp, em Bauru.
Me inscrevi no vestibular, fiz cursos gratuitos de revisão (pra quem é da região de Campinas, todos os anos o Instituto de Biologia da Unicamp oferece o Verde Novo, cursinho popular de revisão pro vestibular, ótimo por sinal). Por fim, comecei a trabalhar logo que fiz 18 anos e o vestibular ficou pra depois.

No ano seguinte, depois de ver muitos amigos passando em universidades públicas, postando suas fotos pintados e felizes no trote, resolvi arriscar. Me inscrevi num cursinho pré-vestibular particular. Eu gastava 80% do meu salário com a mensalidade, mas sabia que ao final iria garantir minha vaga na USP. Como? Eu simplesmente sabia. E até hoje acredito que se tivesse continuado, em outras circunstâncias, teria conseguido.
Enfim, eu trabalhava numa livraria num shopping, o que significa trabalhar de segunda à segunda, sem final de semana ou feriado. Fui ficando pra trás nas matérias, não conseguia acompanhar o ritmo e estudar quando chegava em casa (porque, né? eu chegava em casa quase que no dia seguinte). Um dia, um professor disse que quem não estudava todos os dias nunca passaria no vestibular. Nunca.
Eu tentava muito não me deixar abalar, mas aquelas palavras acabaram com meu dia. Ou eu trabalhava, ou eu estudava, e sair do trabalho significava não ter a grana pra pagar o cursinho. Acabei saindo e tendo certeza que a USP não era pra mim.

Mudei de emprego, finalmente me livrei do shopping. Nesse tempo, me inscrevi na UFOP (Federal de Ouro Preto) pelo SiSU, e fui aprovada. Isso reacendeu a chama do vestibular em mim hahahaha. Eu obviamente não poderia cursar, por ser muito longe e em outro estado, mas resolvi não desistir. Voltei a estudar, dessa vez pra conseguir minha aprovação na Unesp.

Resolvi focar naquela prova específica e conhecê-la: fiz 7 (!!!) provas anteriores da Unesp, e comecei a entender melhor como ela funciona. 80% das questões são de humanas, para minha alegria, e o restante é dividido entre exatas e biológicas. Foquei meus estudos em humanas e não peguei no caderno de matemática/física nenhuma vez. Assinei o Descomplica, que é um site muito bom e que me ajudou demais, e pra minha surpresa, fui convocada para a segunda fase em 34º lugar. Fiquei sem reação, e peguei mais firme ainda para a segunda fase, que é dissertativa E HORRÍVEL.
Quero bastante destaque pro quão chata essa segunda fase é. Deixei toda a parte de matemática e física sem resultado, fazendo só algumas contas pra não zerar. 

No meio disso tudo, e antes de saber o resultado final, desanimei da Unesp completamente.
Conversei com alguns alunos de lá, e muitos deles me disseram que só vale a pena por ter uma universidade pública no currículo. E, convenhamos: gastar a grana que eu gastaria me mudando pra Bauru, pra não aprender da melhor forma que posso?
Já estava conformada quando saiu o resultado: aprovada em primeira chamada na Unesp. Salva pela redação, que quase atingiu a nota máxima.

Acho que o maior drama classe-média-sofre da minha vida foi esse. Eu queria mas não queria ir pra lá. A cada e-mail da Unesp me parabenizando ou apresentando o campus da FAAC eu chorava. Tentei bolsa pelo Prouni, não rolou. Tentei outras universidades pagas, mas a grana não dava.
Foi então que a Puc-Campinas abriu a seleção de vagas remanescentes. Eu não havia feito a prova, mas tinha me inscrito (e pago caro!) pro vestibular, então poderia tentar as vagas que sobraram pela minha nota do Enem e passei.

Mas, peraí, a Puc não tem um dos cursos mas caros de jornalismo em Campinas?
Na verdade sim, e eu não tinha a grana nem pra pagar a matrícula. Mas graças à Deus (ou ao governo federal. ou aos bancos) o Fies apareceu na minha vida e eu consegui financiar 100% do meu curso pra pagar só daqui 5 anos e meio.

Minha decisão de me arriscar a fazer uma dívida gigantesca foi bastante pensada, e até hoje penso se fiz a escolha certa. A Puc tem uma estrutura que eu nunca encontraria na Unesp - todo o equipamento para as gravações necessárias, todas as salas que usei até agora eram equipadas com datashow e a universidade oferece milhões de oportunidades fantásticas pros estudantes. Isso só mostrou pra mim que faculdade particular ruim é mito. Na verdade, toda universidade pode ser ruim, independente se você paga 1500 reais de mensalidade ou 1500 reais pelo simples prazer de morar em outra cidade e dizer que "a minha é federal".

Acho que o post ficou bastante longo, mas espero que ajude as pessoas que estão passando pelo momento horrível que é a escolha da universidade, do curso e das pressões do vestibular. Não deixem os outros dizerem que você é pior só porque não conseguiu uma vaga numa pública!
Na próxima postagem da série, vou contar um pouco sobre como foi meu primeiro semestre no curso.

5 comentários :

  1. Olá Colega. Sou Lanzoni, professor de Geografia. Acho que é sobre mim quando diz “um professor disse que quem não estudava todos os dias nunca passaria no vestibular. Nunca”. Perdoa-me, pois minhas palavras não te fizeram bem. Não foi minha intenção. Porém, gostaria de esclarecer um engano: não usei esse termo NUNCA repetido enfaticamente. A senhora me perguntou mais ou menos assim: só assistir a aula sem estudar dava para passar em vestibular, lembro-me que até perguntei qual era o curso para responder sua questão – pois se fosse pouco concorrido diria que era possível, não provável (por isso não utilizei o nunca) – diante do curso muito concorrido, afirmei que só as aulas sem estudo fica menos provável ainda, muito difícil passar, pois o processo de aprendizagem se completa naquele momento solitário que se faz sentado com um lápis na mão depois da aula, postura sempre presente em alguns concorrentes dos principais vestibulares. Independentemente de qualquer coisa, desejo-lhe muita sorte, parabéns por todo seu esforço. Sua garra e Fé te levarão aos céus!

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    1. Oi Professor! Sendo bem sincera, eu não me lembro quem me disse essas palavras em especial, porque ouvi muitas vezes coisas parecidas de diversos professores nessa época. Talvez não fossem direcionadas a mim, e sim às pessoas que tinham oportunidade de estudar todos os dias e não o faziam, mas isso acabou me atingindo e me chateando. Mas como sempre devemos tirar ensinamentos de tudo, acredito que mesmo essas palavras me ajudaram, pois se continuasse insistindo no cursinho sem nenhum tempo pra estudar, a decepção seria maior, e talvez eu não tivesse forças pra tentar de novo. De qualquer forma, se foi o senhor, obrigada! Essa e outras coisas que ouvi me deram muita força pra estudar e poder dizer pra todos que eu consegui o meu objetivo. Tudo de bom pra você!

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  2. Oi, tudo bem?
    Adorei esse post e com certeza irei acompanhar os outros dessa série. Me identifiquei com você, quero muito fazer jornalismo (e não sou muito boa em matemática)!
    O meu ano de vestibular é ano que vem e já estou ficando louca por antecipação. Estou com dúvidas em relação onde fazer o curso, estava pensando seriamente em prestar Unesp, mas agora estou dividida. Pelo o que você falou a PUC Campinas é ótima e não é longe da minha cidade, o único problema é a mensalidade mesmo.
    Não entendo as pessoas que dizem que só faculdades públicas são boas, tem muitas particulares que são excelentes.
    Estarei esperando ansiosamente pelos próximos posts.
    Beijos!
    http://borboletasliteraria.blogspot.com.br/

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  3. Parabéns pela escolha, pelo vestibular, pelo texto, pelo blog....
    SEguindo aqui!
    Bjs, Lu - http://resenhasdalu.blogspot.com.br/

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  4. Muito legal seu post, principalmente para ajudar quem ainda está avaliando sobre o ingresso na faculdade.
    Eu tambem optei por não fazer uma publica. Muitos me chamaram que louca quando abri mão do vestibular... Meus motivos eram diferentes do seu. Depois de terminar o ensino médio em um colégio publico e ver a bagunça que era, além da constante ameaça de greve, eu decidi que faria o que fosse preciso para não entrar em uma faculdade publica. Outro ponto é que eu queria começar a trabalhar e uma faculdade publica raramente te permite isso. Com a ajuda dos meus pais eu consegui ir para a faculdade que eu sempre sonhei, Okey, me ferrei já que a corrupção levou a Gama Filho a falência. Mas perdi apenas um semestre e vou me formar no final deste ano! Além do mais, conheci otimos profissionais, que acrescentaram demais na minha carreira. Então é, posso dizer que - mesmo com tanto stresse - fiquei bem feliz com minha escolha.

    Boa Sorte na sua longa jornada na faculdade!
    Beeijos, Dreeh.
    Blog Mais que Livros

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