15 de março de 2014

14 de Março - Dia do Livreiro

Ontem, dia 14 de Março, foi o dia daquele que se desdobra em mil pra encontrar o livro que você quer, que arruma a estante depois daquela bagunça na sede - que todos temos - de encontrar o livro perfeito: o livreiro (ou, vendedor de livros).
Eu jamais poderia deixar essa data passar em branco. Um dia, fuçando pelos blogs da vida, cheguei a esse texto. Nele, lê-se "(...)aprendi que ser livreira está na minha essência. Não é algo que eu preciso estar para ser. Eu sou livreira. Eu sempre serei. Enquanto eu amar os livros, enquanto eu souber indicar obras que provoquem diversão e reflexão nas pessoas, eu serei livreira."  
No mesmo momento, meus olhos encheram de lágrimas e eu me identifiquei tanto, que não pude deixar de escrever para a autora do texto.

Minha história como livreira começou na semana do saco cheio de 2012. Eu não tinha um emprego. Eu havia completado 18 anos há pouquissimo tempo - mas eu precisava de um emprego!
Fui chamada para a primeira etapa do processo seletivo para auxiliar de reserva da Livraria Cultura. Eu não cabia em mim de alegria, apesar de saber que se tratava de um emprego de 8h diárias num shopping (!!!), se tratava também de uma livraria. E eu nunca perderia a oportunidade de estar entre os livros.
A primeira parte era eliminatória - vários concorrentes em uma sala, perguntas sobre o que gostávamos de fazer e uma dinâmica. Eu fui péssima na dinâmica, péssima! Saí de lá achando que nunca serviria pra trabalhar com o público.
Alguns dias depois, qual não foi minha surpresa ao receber um e-mail me convocando para a segunda etapa do processo?
Se tratava de uma entrevista convencional, com o gerente da loja e o analista de pessoas (na verdade, eu não tenho certeza quanto ao segundo cargo, acabei pegando a mania de chamar só de "analista"). Mais uma vez, fiquei tensa e me sentindo horrível.
No dia seguinte, recebo a ligação do RH da loja: eu havia sido contratada. E melhor, eu havia sido contratada para vendas - um contato maior com o público e com os livros, maiores responsabilidades.

Me lembro perfeitamente do meu primeiro dia. Das roupas que eu vestia, da alegria, e também do cansaço e dor nos pés que senti ao final do expediente. Mas uma coisa eu já havia aprendido, logo no primeiro dia: aquele lugar era mágico.

Trabalhei 8 meses como livreira e tenho certeza que foi a coisa que mais amei fazer na vida. Apesar de estar longe dos livros que eu costumava ler (trabalhava na seção de ciências humanas e artes), era como se todos os dias fossem realmente mágicos. Pude conhecer livros e autores novos, e também recomendar. Pude conhecer clientes maravilhosos que se tornaram amigos depois que saí, e também me assustar com uma carta de 5 páginas vinda de um cliente que atendi uma vez. Sei que todos os dias desses 8 meses que vivi lá, foram de muito aprendizado. Cada dia uma luta nova e também um presente novo.
Devo aos meus dias como livreira o amor que aprendi a ter por alguns diretores de cinema em especial, as amizades que cultivei lá, as lágrimas, os sorrisos.

Não é porque fui do ramo não, mas eu dou o maior valor possível pra essa galera dos livros.
Sei que falei mais da minha experiência do que homenageei-os, mas hoje, além de tudo, é um dia de muita nostalgia e saudade das prateleiras.

(essa sou eu, com cara de boba, no emprego mais legal do mundo)


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