25 de fevereiro de 2014

[Livro x Filme] As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides

Seu fascínio tinha ganhado o bônus de um sofrimento novo e misterioso, perfeito em seu silêncio, visível o inchaço azulado sob seus olhos ou na maneira como, às vezes, paravam subitamente de caminhar e sacudiam a cabeça como se discordassem da vida. A dor fez as meninas perambularem. 


   Inaugurando uma seção nova no blog, hoje quero falar sobre o livro As Virgens Suicidas, escrito por Jeffrey Eugenides, e sua adaptação para o cinema, dirigida por Sofia Coppola.
    
    A primeira vez que tive contato com a trama eu estava prestes a completar 15 anos, e guardei a curiosidade até hoje, pouco depois dos 19, e confesso: não me arrependo. Talvez, se naquela época tivesse assistido o filme, perderia a oportunidade de ler o livro antes, coisa que acho essencial, e certamente não absorveria a história o quanto é necessário para entendê-la.  
     Num geral é a história das cinco irmãs Lisbon: Cecília, Lux, Mary, Bonnie e Thereze, entre 13 e 17 anos, que vivem sob um rígido controle de seus pais e acabaram se tornando um mistério para um grupo de garotos - narradores do livro - que vivem no mesmo bairro, num subúrbio nos Estados Unidos.
     Quando Cecília, a mais nova das irmãs, comete suicídio, a obsessão pelas meninas só aumenta, e o grupo anônimo de garotos passa a recolher evidências, tanto físicas como comportamentais, que ajudassem a desvendar o motivo pelo qual Cecília havia tirado sua própria vida.
     A história é atemporal. Em nenhum momento é citado o ano em que se passa, mas através de referências (e no filme principalmente pela estética das personagens), dá-se a entender que se passa a década de 70.
     O livro é bem mais melancólico e detalhado que o filme. Embora em alguns pontos eu tenha observado uma perda do foco inicial, a trama corre em direção ao seu ápice - o suicídio coletivo das outras 4 irmãs - sempre detalhando a crise da família Lisbon, observada de fora pelos vizinhos e pessoas próximas.
     Já no filme, apesar da direção e fotografia impecáveis, o roteiro deixou a desejar. O foco foi totalmente para Lux Lisbon, deixando assim de mostrar outros pontos importantes, como a própria decadência da família.
     De modo geral, o filme foi uma ótima adaptação. Os diálogos são fiéis ao livro e apenas poucas cenas foram retiradas, mas que não atrapalharam na construção do filme.

Trailer em inglês.

12 de fevereiro de 2014

[Resenha] A Seleção - Kiera Cass

Não queria ser da realeza. Não queria ser ''Um''. Não queria nem tentar.
    

Trabalhar em livraria tem muitas vantagens, dentre elas a que eu mais gostava era: ganhar exemplares de cortesia dos representantes das editoras. Em uma dessas visitas, o representante da Editora Seguinte, selo jovem da Cia. Das Letras, me apresentou esse livro. Sempre torci o nariz pra literatura fantasiosa, mas resolvi dar uma chance a ele.
"A Seleção'' é o primeiro livro da Trilogia Seleção. A história se passa num futuro pós terceira guerra mundial, onde os Estados Unidos deram lugar ao Estado Americano da China, onde fica Illéa - um país que, assim como os outros, era governado por um rei. Além disso, a população era dividida em castas de 1 a 8, sendo 1 a família Real (casta na qual só poderia fazer parte quem já nascesse na realeza) e 8 a mais baixa de todas. As castas designavam desde a profissão até com quem poderiam se relacionar.
America Singer (nome extremamente sugestivo) é da casta 5, composta pelos artistas, e nutre um romance proibido e secreto com Aspen, de uma casta abaixo da sua. Quando é dado o anúncio de que a grande seleção irá começar - o reality show que irá escolher a moça que se casará com o príncipe de Illéa - sua família vê ali a possibilidade de uma vida melhor, tendo em vista que a vencedora e sua familia subiriam de casta. A moça não gosta nenhum pouco da ideia, mas acaba se inscrevendo e, para sua surpresa, é uma das 35 selecionadas para viver no palácio real, terminando assim, o seu romance com Aspen.
Eu vi America como uma personagem moderna e livre de diversos estereótipos. Por exemplo: todas as outras 34 garotas que passaram a conviver com ela no palácio eram de castas superiores e preocupadíssimas com coisas como vestidos, joias e, claro, atrair a atenção do príncipe. Já a protagonista é completamente desapegada de tudo isso (seu maior desejo? poder usar calças jeans de novo) e só se mantém na disputa para continuar enviando dinheiro para sua família.
Mas como ainda falo sobre um livro romantico infanto-juvenil, o padrão tem que ser mantido: o príncipe se apaixona por America, mesmo a moça não dando a mínima para ele.
O livro acaba quando restam somente 6 garotas na disputa e com uma surpresa: Aspen reaparece na vida de America, agora como um dos guardas do palácio.

O livro segue claramente o padrão de romance infanto-juvenil + ficção fantasiosa, mas confesso que algumas coisinhas me fizeram ler até o final:
A aurora soube escrever uma ficção futurista sem ser viajada demais. Se, em um futuro bem distante, uma 3ª guerra acontecer, sou capaz de apostar que China e Estados Unidos estarão envolvidos, ainda mais se o resultado dessa guerra for um país dominando o outro. E nisso, a autora mandou bem, tirando os Estados Unidos do seu posto de soberano invencível. 
Também é importante observar a estrutura da sociedade, dividida em castas, não muito diferente do que já acontece, apenas retratado de uma forma mais ''preto no branco''.
Por último, mas não menos importante, quero destacar uma passagem do livro onde alguns rebeldes, como são chamados na estória, vão até o palácio protestar contra várias coisas que estão erradas no reino (algo como a divisão das terras, mas não lembro ao certo e quero evitar o spoiler). Existe claramente uma diferenciação entre os que vão ao palácio simplesmente protestar e um outro grupo violento que entra quebrando tudo, batendo e até estuprando as pessoas que trabalham no palácio (sim, achei um tanto quando pesado por se tratar de um livro pra uma faixa etária de mais ou menos 13 anos). E, bom, consegui facilmente ligar essa passagem com os últimos acontecimentos e manifestações do Brasil, apesar de obviamente essa não ser a intenção da autora (o livro é de 2012).

Pra terminar - prometo - só queria dizer que me surpreendi demais com o livro, e parei de torcer o nariz pra literatura fantasiosa. (é mentira, mas prometo ser mais aberta a esse tipo de livro). Apesar de ter muito ''mimimi'', é um bom livro, mais por conta do contexto em que se passa do que pela história principal.

Infos:
Titulo Original: The Selection
Autor: CASS, Kiera
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765015
368 páginas.