4 de novembro de 2013

[Resenha] Extremamente Alto & Incrivelmente Perto - Jonathan Safran Foer

Nada pode ser amado com mais intensidade do que aquilo que nos faz falta.


Extremamente Alto & Incrivelmente Perto é um livro surpreendente. Ganhei de presente de amigas muito queridas quando saí do meu emprego na livraria e li com aquele aperto no peito de saudade. E saudade é um dos principais temas do livro.

Oskar é um menino de 9 anos, inventor e curioso. Na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, saiu da escola mais cedo e foi direto para casa. A luz vermelha da secretaria eletrônica piscava indicando que dentro de poucos minutos a vida do garoto mudaria: era um recado de seu pai. Ou melhor, o último recado dele. Suas últimas palavras antes do World Trade Center vir abaixo. Um dia, revirando os pertences de seu pai, encontra uma chave e, em um misto de saudade, solidão, abandono e culpa - Oskar foi a unica pessoa a ouvir suas ultimas palavras e fez questão de guarda-las só pra ele -, parte em busca de uma fechadura ou qualquer outra coisa para que aquela chave servisse, imaginando qual mistério seu pai havia deixado para que ele solucionasse.

Um homem. Nenhuma palavra. Duas tatuagens: ''sim'' e ''não'', e era assim que ele se comunicava com as pessoas ao seu redor. As palavras não saem da sua boca mas vão parar no papel, em cadernos que além de frases soltas, guardam sua história. A tragédia em Dresden, o dia em que percebeu as palavras deixando-o. O amor-não-amor. O amor-perdido.

Eu diria que o livro conta três histórias paralelas - a da jornada de Oskar, a do velho que não fala e a da avó. Mas é muito mais do que isso! Enquanto buscava pelo dono da chave, o menino se depara com figuras espetaculares em Nova York (como, por exemplo, uma senhora apaixonada pelo Empire State que escolheu morar lá). A princípio o livro confunde um pouco, os capitulos são intercalados entre cartas da avó de Oskar, relatos do menino e páginas do caderno do velho - e que páginas! O livro é todo estilizado, suas páginas estão realmente dentro da história. São páginas grifadas com caneta vermelha, como o pai de Oskar fazia; palavras soltas como no caderno do velho; fotos; rabiscos; desenhos. Isso com certeza fez o diferencial e fez o livro ser tão incrível como ele é. Não dá pra largar dele enquanto você não vê a trama se desenrolando e as três histórias se encontrando nas entrelinhas.
Queria que todo mundo sentisse um mínimo de vontade de ler esse livro e que ficassem tão apaixonados como eu fiquei. Escolher só um quote do livro pra postar aqui, além de difícil, chega a ser injusto.

Naquela noite, naquele palco, por trás daquela caveira, me senti incrivelmente perto de tudo no universo, mas ao mesmo tempo extremamente sozinho. Pela primeira vez na vida, me perguntei se a vida valia o esforço necessário para viver. O que, exatamente, fazia a vida valer a pena? O que há de tão horrível em permanecer morto para sempre, não sentindo nada e nem mesmo sonhando? O que há de tão especial em sentir e sonhar?

Enfim. É lindo, sensível, emocionante. Você sente a agonia de todos os personagens e, não canso de repetir: pra mim, é isso que faz um livro ser fantástico e um autor ser excelente.

O livro também foi adaptado para o cinema, trazendo Sandra Bullock e Tom Hanks. Confesso que ainda não assisti, mas aqui vai o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=dmqQQMl73Lc&hd=1

Infos:
Titulo Original: Extremely Loud & Incredibly Close
Autor: FOER, Jonathan Safran
Editora: Rocco
ISBN: 8532520561
360 páginas